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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dilma deve vetar venda de remédios em supermercados, diz ministra

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou nesta quinta-feira (26) que a presidente da República, Dilma Rousseff, deverá vetar o artigo da medida provisória 549/11, aprovada pelo Senado, que autoriza a venda de medicamentos que não exigem prescrição médica em supermercados, armazéns, empórios, lojas de conveniência e similares.

"Não tem acordo sobre isso [venda de remédios] e eu acredito que o posicionamento mais provável seja de veto", afirmou a ministra. A regra sobre remédios foi inserida durante a tramitação na Câmara dos Deputados, e agora a medida provisória volta para sanção da Presidência.

A MP foi aprovada nesta quarta (25) pelos senadores e tinha como objeto principal a isenção fiscal de PIS/Pasep e Cofins para 22 produtos destinados a portadores de deficiência física. O relator foi o senador Romero Jucá (PMDB-RR), ex-líder do governo no Senado.

O líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PT-PE), ex-ministro da Saúde, afirmou em plenário que vai pedir para a presidente Dilma vetar esta parte do projeto. "Mesmo sendo remédio sem restrição médica tem de ser restrito a drogarias", disse o senador.

O texto da medida afirma que deve ser levada em consideração a relação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de produtos comercializáveis sem precisar de prescrição médica.

A Anvisa informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda não possui avaliação sobre a possibilidade de criar uma resolução que regulamente a venda de medicamentos em locais que não sejam farmácias. Esses estabelecimentos são os únicos para a venda autorizados atualmente.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Novo manual para rotulagem dos medicamentos do Ministério da Saúde

A resolução RDC 21/2012, publicada nesta quinta-feira (29/3) institui o novo Manual de Identidade Visual de Medicamentos para o Ministério da Saúde. Com isso, todos os medicamentos adquiridos pelo Ministério da Saúde para distribuição no SUS seguirão o novo padrão visual em suas embalagens.

A nova padronização é mais moderna e atualiza a norma que estava em vigor desde 2002. Além da nova proposta da arte gráfica, inspirada na bandeira nacional, as novas embalagens, entregues por meio de programas do Ministério, estarão de acordo com as normas já existentes para os demais medicamentos disponíveis no mercado.

Entre as novidades da nova rotulagem está a valorização do nome do princípio ativo do medicamento frente ao nome comercial de forma a estimular os profissionais médicos a utilizar o nome técnico dos produtos. O destaque ao nome do principio ativo também visa facilitar a identificação dos medicamentos, prevenindo erros na dispensação ou uso destes produtos.

O novo manual também dá destaque à marca do SUS e reforça a proibição de venda do produto em todas as embalagens, blisters, ampolas, cartelas, frascos, entre outros. O objetivo é possibilitar a imediata identificação da origem dos medicamentos disponibilizados pelo Ministério da Saúde.

Todos os rótulos trarão informações essenciais para garantir o uso correto dos produtos, como via de administração do medicamento, forma de conservação e restrição de uso, entre outros.

Os produtores destes medicamentos terão 180 dias, a partir da publicação da norma, para alterar as embalagens dos produtos. A adequação das novas embalagens será verificada pela Anvisa durante os processo de renovação de registro e análises de pós-registro.

http://www.crfmg.org.br/novo/informacao.php?IdTexto=1875

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Quais os medicamentos que podem ser ingeridos pela mulher durante a gestação?

O senso comum já prega há muito tempo que grávida não pode tomar remédio. E não pode mesmo. O uso indiscriminado de remédios é totalmente condenado durante a gravidez. Esta proibição também inclui formulações à base de plantas, como os chazinhos curativos.
Tanto cuidado se justifica porque a exposição a certos compostos químicos pode causar danos graves ao feto, como malformações, deficiências funcionais, retardo do crescimento e até mesmo a morte. Nenhum medicamento deve ser tomado sem orientação do obstetra.
Mesmo se for prescrito por outro especialista, o médico que acompanha a gestação deve ser informado. Este cuidado deve ser maior nos três primeiros meses, quando se formam todos os órgãos do bebê. Nessa fase, remédios são desaconselhados sem indicação médica, incluindo fitoterápicos, homeopáticos, vitaminas e florais.
Algumas drogas podem ser muito nocivas durante a gravidez, como, por exemplo, os retinóides (congêneres da vitamina A), em especial a isotretinoína, indicada para quadros graves e persistentes de acne, que provoca anomalias no sistema nervoso como hidrocefalia e retardo mental, defeitos no aparelho cardiovascular e alterações no crânio, especialmente nas orelhas.
A warfarina, utilizada para o tratamento da trombose, pode causar aborto, defeitos no sistema nervoso e hemorragia cerebral. Dois princípios ativos contra convulsões são acusados de alterar a formação da coluna vertebral do nenê: a carbamazepina e o ácido valpróico, esse último também receitado para prevenir crises de enxaqueca.
Também entram na lista dos proibidos os fármacos para tratamento de câncer, que podem prejudicar o desenvolvimento do feto como um todo porque interferem na divisão celular.

Nem os naturais

Os fitoterápicos, medicamentos à base de ervas, também oferecem riscos. A cáscara sagrada, que é um laxante natural, pode causar contrações antes do tempo, com possibilidade de aborto e parto prematuro. O guaco, com o qual se faz xarope contra tosse, oferece risco de hemorragias. A hortelã, consumida na forma de chá contra gripes e resfriados, pode causar malformações, se utilizada em altas doses. Como tempero, ela é liberada. Até uma vitamina pode fazer estragos. O excesso de vitamina A é associado a malformações. Muitas gestantes necessitam de suplementação de ácido fólico, ferro e cálcio, dentre outros nutrientes. Mas nem todos os complexos vitamínicos são adequados nessa fase da vida.

Quando é imprescindível?

Em alguns casos, a medicação se torna imprescindível porque a gestante apresenta algum distúrbio que pode trazer complicações importantes para a gravidez ou mesmo que possa colocar sua vida em perigo. Nestes casos, a falta de tratamento compromete mais a gestação do que o uso do remédio em si. Hipertensão se não for controlada, a elevação da pressão arterial da mãe ocasiona retardo no crescimento intra-uterino, parto prematuro e nascimento de bebês de baixo peso.
Estudos comprovaram a segurança de algumas drogas anti-hipertensivas como certos betabloqueadores; Diabetes taxas altas de açúcar no sangue da gestante podem levar a malformações e à morte fetal. O tratamento é feito com dieta hipocalórica (orientada por uma nutricionista especializada e exercícios físicos orientados por um personal especializado em gestantes) e, muitas vezes, com o emprego da insulina; Epilesia embora as drogas para controle do distúrbio não sejam totalmente isentas de riscos, é preciso avaliar bem a relação custo/benefício.
Crises convulsivas freqüentes podem comprometer a oxigenação do bebê, por isso os remédios são mantidos; Depressão se a gestante tiver depressão leve, uma psicoterapia é suficiente para ajudá-la a recuperar o equilíbrio emocional. Mas em casos moderados e graves, talvez não seja o bastante.
Quando o risco de suicídio é grande, o antidepressivo precisa ser administrado. Mulheres com depressão crônica são mais vulneráveis à depressão pós-parto, por isso, a medicação não é interrompida; Doenças infecciosas a mais comum é a infecção urinária, que se não for bem tratada com antibióticos, pode acarretar em parto prematuro.
Existem antibióticos seguros para uso na gravidez, prescritos quando o distúrbio é diagnosticado por exames; Corrimentos vaginais a queda na imunidade que ocorre nos nove meses torna as gestantes mais predispostas a inflamações genitais.
A falta de tratamento pode levar ao parto prematuro. Alguns cremes são permitidos para uso na gravidez;
Distúrbios da tireóide o hipotireoidismo é um quadro bastante comum e requer tratamento porque a falta do hormônio da tireóide na gestação está relacionada a uma certa diminuição do QI do bebê, trazendo como conseqüências dificuldades de aprendizado na idade escolar. O excesso de hormônio (hipertireoidismo) também traz prejuízos e precisa ser tratado, pois eleva o índice de abortos no primeiro trimestre.

Como lidar com outras situações?

Enjôos fracione as refeições para não ficar muitas horas em jejum. Prefira alimentos gelados e evite comida gordurosa. Se não resolver, os ginecologistas, às vezes, prescrevem dimenidrinato isolado ou associado à vitamina B6 ou metoclopramida.
Resfriados dores e febres são controladas com paracetamol, mediante prescrição médica. Os descongestionantes nasais estão proibidos, pois podem estreitar os vasos da placenta e comprometer o fluxo de sangue para o bebê. É melhor pingar nas narinas soro fisiológico ou fazer inalação só com o soro. Nada de drogas contra tosse, especialmente as que contêm codeína e formulações à base de guaco. Prefira mel com limão; Inchaço reduza o sal na comida, descanse com as pernas elevadas e faça exercícios físicos para ativar a circulação; Enxaqueca analgésicos mais fortes não são recomendados e os remédios para prevenir as crises também estão fora de questão.
O médico pode recomendar paracetamol e, como segunda opção, dipirona. É conveniente que se verifique resistência à insulina (causa freqüente de enxaquecas) e se confirmada, poderá ser tratada.

http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/noticias/48383/quais-os-medicamentos-que-podem-ser-ingeridos-pela-mulher-durante-a-gestacao?utm_source=ALLINMAIL&utm_medium=email&utm_content=28184957&utm_campaign=Top%2010%20Farm%E1cia%20023&utm_term=t92.yuw.wah12.z.a.n.d.oy.f.wa1d.w.yvd.w.yph.gd

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mais de 300 remédios podem ter redução de até 11% no preço este ano

A Receita Federal deve divulgar este ano uma lista atualizada de remédios que terão isenção do PIS e do Confins por serem usadas contra doenças de tratamentos contínuos ou de larga escala. Na listagem, que é chamada de "lista positiva", deverão estar remédios para o tratamento de câncer, hipertensão, colesterol, além de antibióticos e antialérgicos. Mais de mil medicamentos já possuem isenção dos tributos, mas outros 300 estão sob análise, informa o jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com o Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo ( Sindusfarma), a renovação da lista dos medicamentos está atrasada desde 2007. O sindicato enviou um ofício ao Ministério da Saúde este ano, que enviou nota à Receita, responsável pela liberação da isenção. Na nota, o ministério esclareceu que “a importância dos produtos contidos nessa lista baseia-se no efeito da redução do preço para o consumidor de medicamentos essenciais, uma vez que as alíquotas de PIS/Cofins somam mais de 10% e, por consequência, promover a ampliação do acesso da população para usufruir desses produtos”.

TUDO FARMA

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

FALTA DE ÉTICA EM NOVOS MEDICAMENTOS

As pesquisas clínicas que servem de base para aprovar novos remédios e para que os médicos escolham como tratar seus pacientes omitem dados que poderiam mudar suas conclusões.
Em sua mais recente edição, o periódico "British Medical Journal" analisa a falta de dados relevantes em artigos sobre pesquisas feitas com seres humanos.
O editorial da revista classifica essa falha como uma das mais graves violações éticas do processo de formação de conhecimento sobre novos medicamentos.
Em uma série de análises sobre o tema, o "BMJ" mostra que a omissão de informações muda o resultado de estudos que vão servir para aprovar novas drogas. Isto é, um remédio é avaliado como mais ou menos eficaz, dependendo dos dados do estudo.
Um dos levantamentos revisou o resultado de 41 estudos sobre novas drogas. Os autores refizeram as conclusões dos testes, incluindo dados de pacientes do grupo inicial de estudo, mas que, por qualquer razão, haviam sido excluídos da análise final.
Em 93% dos casos, o resultado encontrado pelo novo estudo foi diferente do original. Os pesquisadores, por exemplo, mostraram que uma droga contra Alzheimer, a galantamina, foi menos eficaz quando todas informações colhidas nos estudos originais foram consideradas.
Muitas vezes, estudos excluem pacientes por terem idade avançada ou sintomas não relacionados à doença estudada. Tudo isso torna a pesquisa e suas conclusões mais distantes da vida real.
"A maioria dos médicos acredita que o sistema regulatório aplicado a pesquisas em humanos garante que as descobertas sejam relevantes e confiáveis. É um choque ver que isso está longe da realidade", diz a revista.

ÉTICA

O principal responsável pelo problema é o "viés de publicação", como é conhecida a tendência de pesquisadores de selecionar só dados que corroborem sua hipótese, e não os que a negam ou sejam inconclusivos.
"Mesmo subconscientemente, o pesquisador pode ser induzido a encontrar resultados que estejam de acordo com suas expectativas", afirma o reumatologista Marcelo Schafranski.
Uma das formas de combater esse viés é a exigência de que as pesquisas sejam registradas em bancos de dados de acesso público em que ficam disponíveis todas as informações sobre o estudo.
No Brasil, só há um banco desse tipo. O Rebec (Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos) é gerido pela Fundação Oswaldo Cruz e resultado de uma parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde.
"O registro dá transparência à pesquisa. Qualquer pessoa tem informações sobre o estudo", diz o coordenador do Rebec, Josué Laguardia.
Criado há pouco mais de um ano e com inscrição voluntária, o sistema tem 77 pesquisas cadastradas.
Para Laguardia, essa preocupação com a transparência dos dados ainda não é muito disseminada no país.
E só o registro não é garantia contra as distorções. "Dependemos da ética individual do pesquisador", afirma.

http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/noticias/47052/pesquisas-ocultam-dados-importantes-sobre-novos-remedios?utm_source=ALLINMAIL&utm_medium=email&utm_content=27311425&utm_campaign=Top%2010%20-%20Farm%E1cia%20019&utm_term=t92.yuw.wah12.z.a.n.d.oy.f.wa1d.w.yvd.w.yph.gd

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Preços de medicamentos são estratosféricos

Hipertensão arterial, diabetes, câncer e doenças respiratórias são males que ameaçam a sobrevivência não só do ponto de vista médico como também econômico. Os preços de remédios importados são estratosféricos. Um exemplo? Leucemia: a caixa com 112 comprimidos de 200 mg de Nilotinibe chega a R$16.838. A quimioterapia para câncer de mama com drogas de ponta custa em média R$150 mil por ano. O Plano de Ações para Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) ampliou o acesso ao tratamento, mas o Ministério da Saúde tem problemas para manter o fornecimento a hospitais. Para especialistas, porém, a proposta de flexibilizar patentes não é a resposta. No caso do diabetes, o governo distribui medicamentos antigos, já sem patentes. Os mais modernos, que controlam a doença por mais tempo, custam muito mais.

- É claro que gostaríamos de tratar os pacientes dos hospitais públicos com drogas mais modernas. Mas os laboratórios gastam muito dinheiro em pesquisas e podem não querer trazer os remédios para o Brasil, se as patentes forem flexibilizadas - diz Amélio Godoy, do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia.

Para o oncologista Ricardo Teixeira, a flexibilização de patentes não vai atender a todos os casos. Ele diz que, hoje, pacientes só têm acesso a tratamento com fármacos mais modernos por meio de ação judicial.

- O paciente com câncer na rede pública tem menor sobrevida do que o de convênio. Em tumores de mama há um exemplo. Na rede pública, as mulheres recebem Tamoxifeno, que custa R$30 a caixa; na rede privada, é receitado o Anastrozol, que custa R$300.

- São Paulo é o único estado em que o paciente tem acesso aos melhores tratamentos, sem ter que entrar na Justiça - diz Teixeira. - É um direito do paciente optar por um medicamento mais caro, sobretudo quando aumenta a sobrevida mesmo que seja em dias.

Teixeira crítica a falta de fiscalização das clínicas particulares que recebem dinheiro do SUS para remédios de ponta que não chegam aos pacientes. Ele explica:

- O ministério paga, para câncer de mama avançado, a associação de Docetaxel e Doxorubicina, mas clínicas aplicam Doxo com Ciclofosfamida, combinação mais barata, só para aumentar a margem de lucro.

Fonte: O Globo
Notícia publicada em: 20/09/2011
Autor: Antônio Marinho, Juliana Câmara

http://www.tudofarma.com.br/noticias/noticiasInterna.asp?Textos_ID=22473

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Acesso a medicamentos gratuitos triplica no país

Número de brasileiros com diabetes e hipertensão beneficiados passou de 853 mil em janeiro para 2,7 milhões em agosto; região Norte registrou maior aumento, 713%.
A ação “Saúde Não Tem Preço” – lançada este ano pelo governo federal – está beneficiando cada vez mais brasileiros e ampliando o acesso ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O programa do Ministério da Saúde, que oferece gratuitamente 11 medicamentos para hipertensão e diabetes, aumentou em três vezes o acesso ao tratamento dessas doenças nas mais de19 mil unidades privadas credenciadas ao programa. Em janeiro, 853 mil pacientes de hipertensão e diabetes foram atendidos pelo programa, enquanto que, em agosto, o número saltou para 2,7 milhões (veja o crescimento por estado e região no fim do texto).
“Os números mostram que o brasileiro está mais e melhor assistido para o tratamento dessas doenças prevalentes na população, e diretamente relacionadas aos novos hábitos de vida do brasileiro”, observa o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A quantidade de hipertensos beneficiados saltou 254%, de 658 mil em janeiro para 2,3 milhões em agosto. Já o número de diabéticos beneficiados aumentou 180%, passando de 306 mil para 860 mil no mesmo período. Antes da criação do “Saúde Não Tem Preço”, os produtos eram oferecidos com até 90% de desconto nas drogarias credenciadas ao Aqui Tem Farmácia Popular.

CRESCIMENTO –A região Norte foi a que apresentou maior crescimento de pessoas beneficiadas. A região teve crescimento de 713% no período, passando de 7.774 beneficiados, em janeiro, para 62.713 em agosto. Destaque também para a região Centro-Oeste, onde o aumento foi de 566%, passando de 20.691 para 155.105 no mesmo período. No Nordeste, o programa apresentou 349% de crescimento, o número de beneficiados passou de 57.921 em janeiro para 259.906 em agosto. Já nas regiões Sul e Sudeste o crescimento foi, respectivamente, de 265% e 184%.
“A oferta de saúde está cada vez melhor distribuída pelo país, sem prejuízo de qualquer região, por meio doFarmácia Popular. O maior crescimento do programa na região Norte indica que a assistência farmacêutica está se ampliando de maneira equânime no Brasil, chegando a todos os brasileiros, sem distinção”, afirma o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha.

DOENÇAS -A hipertensão arterial atinge 23,3% da população adulta brasileira (maiores de 18 anos), de acordo com o estudo Vigilância de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), 2010, que considera o diagnóstico médico referido pelo entrevistado. Ainda pelo Vigitel, a diabetes atinge 6,3% da população adulta, sendo maior em mulheres 7% do quem em homens, 5,4%.
O Saúde Não Tem Preço tem alavancado a oferta do programa Aqui Tem Farmácia Popular como um todo, incluindo os 14 produtos ofertados com 90% de desconto, para o tratamento de asma, incontinência urinária, osteoporose, rinite, colesterol, doença de Parkinson, glaucoma e os anticoncepcionais. O número de pessoas atendidas pelo programa cresceu 172% de janeiro a agosto, saltando de 1,2 milhões para 3,4 milhões.

ORIENTAÇÕES AOS USUÁRIOS - Para obter os produtos disponíveis no Saúde não Tem Preço, o usuário precisa apresentar CPF, documento com foto e receita médica, que é exigida pelo programa como uma forma de se evitar a automedicação, incentivando o uso racional de medicamentos e a promoção da saúde.
Eventuais dúvidas podem ser esclarecidas e comunicadas ao Ministério da Saúde – pelos estabelecimentos credenciados ou pelos usuários do programa – por meio da ouvidoria do SUS, no telefone 136, como também pelo e-mail analise.fpopular@saude.gov.br.
Os medicamentos gratuitos para hipertensão e diabetes são identificados pelo princípio ativo, que é a substância que compõe o medicamento. Os itens disponíveis são informados pelas unidades do programa, onde os usuários podem ser orientados pelo profissional farmacêutico. É ele que deverá informar, ao usuário, o princípio ativo que identifica o nome comercial do medicamento (de marca, genérico ou similar) prescrito pelo médico.

http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/index.cfm/?portal=pagina.visualizarNoticia&codConteudo=2309&codModuloArea=162&chamada=acesso-a-medicamentos-gratuitos-triplica-no-pais

domingo, 14 de agosto de 2011

Anvisa divulga perfil de pesquisa clínica de medicamentos no Brasil

As atividades de pesquisa clínica, no Brasil, estão concentradas em estudos da fase III. É o que apontam dados divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta terça-feira (9/8). Das pesquisas autorizadas pela Agência, cerca de 60% estão nesta categoria.

O desenvolvimento de estudos clínicos está diretamente relacionado à capacidade do país de produzir e desenvolver novos medicamentos. No Brasil, 80% dos estudos de pesquisa clínica para desenvolvimento de novos medicamentos são conduzidos por empresas multinacionais. Além disso, apenas 4% do total desses estudos são dedicados a pesquisas clínicas de fase I, ou seja, aquelas em que um novo princípio ativo de medicamento é testado pela primeira vez em humanos.

Estudos clínicos fase III são aqueles realizados em grandes e variados grupos de pacientes com o objetivo de determinar o resultado risco/benefício das formulações do princípio ativo a curto e longo prazo. “Nesta fase, exploram-se a comprovação da eficácia e o perfil das reações adversas mais freqüentes, bem como as características especiais do medicamento”, explica a coordenadora de Pesquisas, Ensaios Clínicos e Medicamentos Novos da Anvisa, Patrícia Andreotti.

Os estudos de pesquisa clínica fase II e fase IV representam, respectivamente, 22% e 11% do total desse tipo de pesquisa desenvolvidas no Brasil. “Os estudos fase II, conhecidos como estudo terapêutico piloto, procuram demonstrar a atividade e estabelecer a segurança a curto prazo do princípio ativo, em pacientes afetados por uma determinada enfermidade ou condição patológica”, afirma Patrícia.

As pesquisas de estudos fase II realizam-se em um número limitado de pessoas e devem estabelecer as relações dose-resposta, com o objetivo de obter sólidos antecedentes para a descrição de estudos terapêuticos ampliados. Já as pesquisas fase IV são realizadas depois do produto entrar no mercado e procuram investigar o surgimento de novas reações adversas e confirmar a freqüência de surgimento das já conhecidas.

Os dados divulgados pela Anvisa também apontam que a Agência autoriza a realização, em média, de 200 estudos clínicos por ano. No período entre 2003 e 2010, 80% dos pedidos para realização de pesquisas clínicas analisados pela Anvisa foram autorizados.

anvisa

segunda-feira, 20 de junho de 2011

INTERAÇÕES ENTRE ÁLCOOL E MEDICAMENTOS

Saiba quais são as possíveis consequências da mistura de álcool com remédios:

Analgésicos

Dipirona - Potencializa o efeito do álcool
Paracetamol - Danos no fígado
Aspirina - Sangramentos no estômago

ANTIBIÓTICOS

Metronidazol,Trimetoprim,Tinidazol e Griseofulvin - Vômitos, palpitação, pressão baixa, dificuldade respiratória
Cetoconazol,Nitrofurantoína,Eritromicina,Rifampicina e Isoniazida - Inibe o efeito do remédio

ANTI-INFLAMATÓRIOS - Sangramentos no estômago

ANTIDEPRESSIVOS - Inibe o efeito do remédio, aumenta o efeito sedativo

CALMANTES

Ansiolíticos (benzodiazepínicos) - Dificuldade respiratória, aumenta o efeito sedativo, risco de coma

INIBIDORES DE APETITE

Sibutramina, Anfetamínicos - Tontura, Vertigem, Fraqueza Síncope, Confusão

HIPOGLICEMINANTES

Insulina - Vômitos, Palpitação, Cefaleia, Hipoglicemia

ANTICONVULSIVANTES

Fenobarbital, Diazepem, Clonazepam - Dificuldade respiratória, inibe o efeito do remédio, Intoxicação

ANTI-HIPERTENSIVOS - Tontura, desmaios, arritima cardíaca

PARA COLESTEROL ALTO

Estatinas - Danos no fígado, sangramentos no estômago

tudofarma

terça-feira, 3 de maio de 2011

SUS: lei determina novas regras para inclusão de medicamentos e serviços

A inclusão de medicamentos, novos produtos e tecnologias no SUS (Sistema Único de Saúde) atenderão novas regras determinadas pela Lei 12.401 sancionada pela presidente Dilma Rousseff e publicada no Diário Oficial da União, na última sexta-feira (29).

A nova lei estabelece critérios de eficácia, segurança e custo-efetividade como condições para inclusão de novos medicamentos, produtos e procedimentos na lista do SUS. Segundo o Ministério da Saúde, a população terá o acesso ampliado aos medicamentos e procedimentos em saúde, com qualidade comprovada por avaliação técnica e científica destes produtos e serviços, incluindo os casos em que a oferta é determinada por decisão judicial.

Além disso, com a nova lei, o Judiciário contará com parâmetros precisos para melhor subsidiar as ações judiciais relacionadas à saúde. As novas regras também permitem a otimização da aplicação dos recursos públicos, o que permite a ampliação do acesso racional de produtos e serviços à população. "Ao regulamentar a entrata de novos produtos e procedimentos na rede pública, a Lei 12.401 beneficiará o cidadão e fortalecerá a atuação do Ministério da Saúde, que terá ainda mais capacidade para orientar as atividades econômicas em prol das necessidades em saúde", explicou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha.

Foi fixado prazo de seis meses para a lei entrar em vigor, mas este tempo poderá ser prorrogado por mais 90 dias. "Esse é o tempo necessário para a realização de todos os estudos e análises que garantam a qualidade e eficiência das ações de saúde", afirmou Gadelha.

Orçamentos

O SUS oferece 560 medicamentos gratuitos à população. As estratégias de ampliação ao acesso dos usuários do sistema a estes produtos resultaram em um aumento de cerca de 300% no orçamento do Ministério da Saúde para a Política Nacional de Assistência Farmacêutica.

Em 2010, o governo investiu R$ 10 bilhões na compra de medicamentos e vacinas. Esse valor representa 15% de todo o orçamento do Ministério.

Fonte: Portal Uol
Notícia publicada em: 03/05/2011
Autor: Indefinido

tudofarma

segunda-feira, 28 de março de 2011

INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Usuários de medicamentos estão cada vez mais expostos ao risco de sofrer reações adversas graves por causa de problemas existentes no sistema de pesquisa, aprovação e divulgação de novas drogas. Para piorar, mais de 85% dos remédios lançados pela indústria nos últimos 40 anos oferecem pouca ou nenhuma vantagem terapêutica - quando comparados aos já existentes - que faça esse risco valer a pena.

As conclusões estão no livro The Risks of Prescription Drugs (Os Riscos dos Medicamentos, em tradução livre), lançado recentemente nos Estados Unidos. Na obra, o cientista social Donald Light reúne pesquisas que mostram, por exemplo, que as notificações de reações adversas crescem 15% por ano nos EUA, além de o problema ter se tornado a quarta causa de morte no país.

O autor elenca uma série de práticas dos laboratórios - batizadas de "síndrome da proliferação do risco" - que aumenta a probabilidade de os usuários sofrerem reações adversas. A primeira delas é o fato de a maioria dos testes feitos para avaliar a eficácia e a segurança de novas drogas ser conduzida pela própria indústria, de forma a maximizar os benefícios e minimizar evidências de efeitos colaterais.

"Há vários estudos que mostram as técnicas usadas para minimizar a documentação de efeitos adversos", diz Light. Uma delas, segundo ele, é encurtar os ensaios clínicos e excluir idosos, mulheres e outros voluntários com maior probabilidade de apresentar problemas. "Quando as agências reguladoras aprovam uma droga é porque a consideram segura. Mas a verdade é que elas não têm evidências suficientes para saber isso."

Crítica. O sanitarista José Rubens Bonfim, da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime), concorda. A forma como os estudos clínicos são concebidos, diz ele, não permite avaliar direito a segurança. "Os melhores ensaios são feitos com cerca de 3 mil pacientes. É pouco."

Bonfim conta que os testes do rimonabanto (remédio para obesidade da Sanofi-Aventis, cujo nome comercial era Acomplia) foram feitos com 5 mil voluntários e ainda assim não detectaram o principal efeito adverso, a propensão ao suicídio, que fez a droga ser retirada do mercado.

Segundo dados do livro, cerca de um em cada cinco novos medicamentos causa efeitos colaterais graves o suficiente para necessitar a inclusão de um alerta na bula ou ser retirado do mercado na primeira década de uso. Exemplos recentes não faltam, como o remédio contra acne da Roche, Accutane (isotretinoína), relacionado a doenças inflamatórias intestinais. E o anti-inflamatório Prexige, da Novartis, proibido no Brasil depois de causar diversos casos de hepatite, hemorragia, arritmia e enfartes.

"Todo mundo deseja evitar o dano. A empresa perde credibilidade e dinheiro quando tem problema com produto. Mas, às vezes, só com o grande consumo os problemas são descobertos", diz Nelson Mussolini, do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Sindusfarma).

Procurada pela reportagem, a Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA, que representa os principais laboratórios americanos) não respondeu.

As campanhas massivas de marketing feitas logo após uma droga ser aprovada são outro problema citado por Light. Práticas como deixar amostras grátis nos consultórios médicos, diz ele, encorajam o tratamento com um produto sobre o qual não se tem certeza da segurança. "Ao longo do primeiro ano, o medicamento deveria ser usado com cuidado, em população monitorada", sugere.

Além disso, diz, as empresas patrocinam estudos em que médicos apresentam evidências de que a droga também pode ser usada para tratar condições diferentes daquela para a qual foi aprovada - o uso off label. "Nesse caso, a chance de benefício é ainda menor, mas o risco de efeito adverso, não", diz o autor.

"Medicalização". Para completar a síndrome, Light aponta a influência da indústria na produção científica que redefiniu os critérios de saúde e transformou condições naturais - como menopausa, ansiedade e tristeza - em doenças. "As pessoas estão tomando mais medicamentos por períodos mais longos. Isso eleva o risco de efeito adverso e de interação medicamentosa."

Os critérios usados para definir o que é diabete, hipertensão e obesidade foram afetados pela indústria farmacêutica, afirma a pesquisadora da Universidade Georgetown Adriane Fugh-Berman, especialista no tema. O que era considerado pressão arterial normal há 20 anos, exemplifica, hoje é visto como pré-hipertensão. Pessoas com índice de massa corporal (IMC) 30, que antes não eram consideradas obesas, hoje são obesos moderados. Isso aumenta o número de pessoas que precisam de tratamento.

"A indústria está pagando médicos para dizerem que é preciso tratar as pessoas mais cedo. Estão usando os médicos como marionetes para levar sua mensagem de marketing", diz Adriane.

Fonte: O Estado de S.Paulo
Notícia publicada em: 27/03/2011
Autor: Karina Toledo

abcfarma

quarta-feira, 16 de março de 2011

Intoxicação por remédio leva 700 mil a hospitais todo ano nos EUA

A cada ano, cerca de 700 mil americanos são levados a hospitais após a ingestão de medicamentos, legais ou ilegais, segundo um novo estudo. E os custos desse atendimento atingem quase US$ 1,4 bilhão --somente em cobranças de pronto-socorro.

O estudo, publicado na edição de março de "The American Journal of Emergency Medicine", se baseou em dados da Amostragem Nacional do Departamento de Emergência de 2007, um banco de dados do governo dos EUA que inclui informações de 27 milhões de visitas a 970 pronto-socorros, em 27 Estados do país.

Crianças menores de seis anos apresentaram taxas mais altas de visitas à emergência com intoxicação acidental por medicamentos, mas a maioria das visitas foi por precaução, disse o principal autor do estudo, Gary Smith, diretor do Centro de Pesquisa e Diretrizes de Ferimentos do Hospital Infantil de Columbus, em Ohio: as crianças não ingeriram níveis tóxicos de medicações.

A intoxicação por remédios é uma epidemia cada vez mais rural: a incidência em áreas rurais foi três vezes maior do que em outras regiões.

Os problemas do abuso de medicamentos aumentaram durante a última década. Um número crescente envolve remédios receitados, especialmente analgésicos opioides como metadona, oxicodona e hidrocodona --que, segundo Smith, estão sendo prescritos em quantidades recorde. Em 2007, o ano estudado, antidepressivos e medicações para dor foram responsáveis por 44% das visitas à emergência por intoxicações relacionadas a remédios.

Fonte: Portal Folha.com
Notícia publicada em: 15/03/2011
Autor: Indefinido

abcfarma

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

CRESCIMENTO DA VENDA DE GENÉRICOS

Segundo dados da auditoria da IMS Health, divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), foram comercializadas 444,3 milhões de unidades frente a 330,9 milhões em 2009. O crescimento da receita foi de 37% no período, de R$ 4,5 bilhões para R$ 6,2 bilhões.

O aumento no volume de genéricos foi duas vezes maior que a expansão da indústria farmacêutica brasileira, que aumentou 16,9% no período, atingindo a marca de 2,068 bilhões de unidades. A participação dos genéricos chegou a 21,3% do mercado farmacêutico brasileiro.

O presidente executivo da Pró Genéricos, Odnir Finotti, acredita que a maior participação no mercado é resultado da melhora da situação financeira das camadas mais pobres e do aumento do número de medicamentos comercializados.

"Novos consumidores passaram a comprar medicamentos por conta do aumento da renda e os genéricos são a porta de entrada do mercado farmacêutico. Além disso, a entrada de drogas importantes no segmento também naturalmente amplia nosso mercado", disse em nota.

Finotti também considera os programas sociais de saúde como importantes no crescimento, pois receitam, em sua maioria, medicamentos genéricos.

Para o ano que vem, a expectativa da associação é de crescimento superior a 25% caso a economia mantenha o mesmo ritmo de crescimento.

g1 economia

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Crescimento muda perfil do consumo de remédios

O ciclo econômico positivo da última década não mudou apenas a relação do Brasil com os seus parceiros comerciais e financeiros. Mudou também a relação do brasileiro com o seu corpo. A busca para alívio da dor deu lugar à preocupação com o bem-estar. O Brasil da inflação alta e das tentativas de estabilização monetária doía no bolso e nos ossos dos cidadãos. Hoje prevalece o interesse pela serenidade nas decisões e resistência às pressões decorrentes da competição profissional e também de fracassos. Analgésicos cederam lugar a anticoncepcionais, medicamentos contra distúrbios da tireoide e tranquilizantes.

Superadas as agruras da convivência com a hiperinflação, que consumiu a década de 80 e parte da década de 90, o brasileiro vibra com a expansão da atividade alçada a quase 8% neste ano.

Um mercado interno vigoroso embala esse crescimento com avanços históricos da renda e do emprego que propiciam maior acesso a bens de consumo e também à saúde e aos medicamentos. A velocidade da informação colabora com esse cenário e também acirra a disputa por mais eficiência pessoal e profissional. E desse receituário emergem as preferências de médicos e pacientes. Esses "consumidores privados" brasileiros puxaram as vendas de "remédio de marca" a quase 2 bilhões de unidades em 12 meses encerrados em julho de 2010 - num crescimento de 15% ante os 12 meses anteriores. Mais que o dobro do crescimento registrado pela IMS Health nos últimos anos. A IMS Health, empresa de pesquisa e consultoria para o mercado farmacêutico, atende também a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"A relação dos ciclos econômicos com o consumo de medicamentos ocorre porque o ambiente é de pressão. Exigência de elevada performance, o que leva a consumo de ansiolíticos, como o Rivotril, que ajudam a enfrentar pressões sociais maiores", afirma o pediatra e toxicologista do Hospital das Clínicas, Anthony Wong. O psicoterapeuta Antonio Carlos Amador Pereira lembra que o fracasso na busca pelo poder também mobiliza as pessoas em direção às farmácias. "Foco muito fechado em dinheiro ou em poder é desestabilizador. O poder traz isolamento. E consequências", avisa.

Analgésicos e anti-inflamatórios que respondiam por 50% dos dez medicamentos mais vendidos em 1998 caíram a 30% neste ano. Indicativo de maior preocupação das mulheres com as perspectivas profissionais, turbinadas pela ascensão a postos de chefia, a venda de anticoncepcionais e preparados para distúrbios da tireoide agora disputam posição com o tranquilizante Rivotril no ranking que revela prolongada fidelidade dos brasileiros aos "clássicos" Hipoglós, Buscopan e Neosaldina. O Puran T4, preparado para tireóide, ocupa a segunda posição entre os "remédios de marca" mais vendidos de 2009 para 2010. "O uso desses preparados, e o Puran T4 é apenas uma das apresentações que estão no mercado, está diretamente relacionado a uma maior incidência de hipotiroidismo desencadeado por situações de estresse, particularmente, emocional", comenta o endocrinologista Meyer Knobel, chefe da Unidade de Tireoide do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP. Ele confirma que as doenças da tireoide prevalecem cerca de oito a dez vezes mais em mulheres que homens. "Não existe uma explicação bem estabelecida, mas parece estar relacionada à questão hormonal e genética", afirma.

"A participação reduzida de anti-inflamatórios na demanda dos brasileiros por medicamentos é uma ótima notícia", afirma o ortopedista e professor de Medicina Sérgio José Nicoletti, coordenador do Núcleo de Educação da Saúde da Universidade Federal de São Paulo. Consultor de empresas na área de absenteísmo não planejado de causas médicas (faltas não programadas ou planejadas), Nicoletti afirma que desde os anos 90 o Brasil vem gastando muito com o tratamento e com benefícios previdenciários concedidos a empregados afastados do trabalho em decorrência de diagnósticos de doenças inflamatórias, para as quais não há evidências cientificamente estabelecidas. "Provavelmente, esse tipo de situação contribuiu muito para que a prescrição e o uso de medicamentos anti-inflamatórios, vendidos sem receita médica, tenham mantido esse tipo de medicamento no topo da lista dos mais vendidos nas duas últimas décadas. Como anti-inflamatórios apresentam efeitos colaterais não desprezíveis, a queda de seu consumo é alvissareira e deve diminuir os custos, tanto públicos, quanto privados, decorrentes de tratamento de complicações gastrointestinais e cardiocirculatórias, comprovadamente associadas com esse tipo de remédio", comenta o ortopedista.

Wong está convencido de que existe, sim, relação entre os ciclos econômicos e o consumo de medicamentos, mas não vê relação direta entre esse consumo e aumento de renda. "Os medicamentos são relativamente baratos. Quando alguém sente necessidade, comprará o remédio independentemente do preço. Veja o Viagra. Cada comprimido custa de R$ 30 a R$ 40 e tem homem tomando adoidado. Quando as mulheres querem ficar bonitas também gastam muito dinheiro, pouco importando a crise", comenta o toxicologista para quem a relação direta aumento de renda e consumo de remédios pode ocorrer em países pobres como os africanos. "O Brasil nunca foi um país pobre e está, há 40 anos, entre os dez maiores produtores farmacêuticos do mundo. O Brasil tem também grande diversidade. Já chegamos a ter 9 mil produtos farmacêuticos no mercado."

Antônio Carlos Amador Pereira, também professor de Psicologia da PUC-SP, pondera que seja pelo crescimento econômico efetivo ou uma "bolha" em alguns setores, a necessidade de consumir medicamentos é tão grande quanto de outros bens. "O consumo de remédios indica que as pessoas estão se cuidando mais, tendo acesso a planos de saúde e tendo condições de pagar. Mas não podemos esquecer que existe a automedicação que pode ser um meio mais rápido para satisfazer a necessidade de consumo", comenta Pereira que alerta para mais um estímulo a essa modalidade de consumo: a crença de que medicamentos mais sofisticados serão necessariamente mais eficientes. "O ácido acetilsalicílico parece pouco, ainda que perfeito para algumas situações", diz.

Drogas lícitas ou ilícitas vão atrás de quem tem dinheiro e são associadas, com frequência, a estresse e a status. "É assim com a cocaína", afirma o psicoterapeuta Antonio Carlos Amador Pereira que alerta para o fato de que os pobres estressados vão atrás de bebida. "Ainda assim, com a ascensão social, há uma evolução da cerveja até o uísque. Até o momento em que isso já não é mais suficiente para lidar com ansiedade ou estresse. Esses são os principais fatores que levam ao consumo de medicamentos que foram banalizados. Alguns entram na moda e até caem de moda. É o caso do Lexotan. O Vicodin, por exemplo, é moda nos Estados Unidos. É símbolo de status que é avaliado exatamente pela capacidade de consumo."

Wong, do Hospital das Clínicas, explica que o Lexotan e o Rivotril fazem parte do mesmo grupo de benzodiazepínicos considerados bastante seguros. Ambos pertencem à mesma classe do Valium. "O Lexotan ou Bromazepan, que é seu genérico, ajudam a pessoa a dormir melhor. O Rivotril está um passo adiante. Ajuda a diminuir a ansiedade, a enfrentar pressões e a síndrome do pânico e tem excelente efeito para fobia social."

Esse toxicologista identifica a urgência das pessoas em buscar saídas para pressões e alerta para os padrões de comportamento praticamente impostos a quem deseja trilhar a escala social. "A Ritalina, um anfetamínico muito consumido, tem o efeito da cocaína, pois propicia condições para a escalada rumo ao sucesso. Profissionais bem sucedidos sabem conviver socialmente, dão risada, sabem falar. Para os tímidos, é ainda pior. Parece que socialmente não há lugar para os tímidos. Nos últimos três anos, o consumo da Ritalina cresceu cinco vezes. Hoje em dia, até professoras indicam Ritalina para crianças com déficit de atenção. Mas o que acontece com frequência são os irmãos mais velhos pegarem os comprimidos para fazer bonito na balada."

Medicamentos mais vendidos no Brasil

1998

Cataflan (analgésico, antiinflamatório)
Novalgina (analgésico, antitérmico)
Hipoglós (pomada contra assadura)
Neosaldina (analgésico)
Voltaren (antiinflamatório, analgésico)
Lexotan (tranquilizante)
Redoxon (Vitamina C)
Buscopan (analgésico, antiespasmódico)
Sorine (descongestionante nasal)
Vick Vaporub (ungüento descongestionante)

2010

Microvlar (contraceptivo hormonal)
Puran T-4 (preparado para tireóide)
Rivotril (tranquilizante)
Neosoro (descongestionante nasal)
Hipoglós (pomada contra assadura)
Ciclo 21 (contraceptivo hormonal)
Salonpas (antireumático)
Buscopan (analgésico, antiespasmódico)
Neosaldina (analgésico)
Dorflex (relaxante muscular)

Fonte: Valor Econômico
Notícia publicada em: 14/12/2010
Autor: Angela Bittencourt

abcfarma

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Farmacêutico na equipe tecnica da justiça

Só em São Paulo, a Secretaria da Saúde gasta mais de R$ 300 milhões por ano para cumprir liminares - o valor é equivalente ao custo de construção de seis hospitais de porte médio. A principal crítica das autoridades de saúde é relativa ao desconhecimento da Justiça nessa matéria. Alegam que, por não ter formação técnica, os juízes estariam tomando decisões equivocadas e com alto custo para os cofres públicos.

Numa iniciativa oportuna, o CNJ está recomendando à Justiça Federal e às Justiças estaduais a criação de equipes técnicas - integradas por médicos e farmacêuticos - para auxiliar os juízes nas tomadas de decisões. A experiência está sendo feita com grande sucesso nos Tribunais de Justiça do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.

Nas duas Cortes, as equipes já emitiram mais de 2 mil pareceres, gastando em média 48 horas para produzir um laudo técnico, o que resultou em decisões mais precisas por parte dos juízes.

Fonte: O Estado de S.Paulo
Notícia publicada em: 28/11/2010
Autor: Indefinido

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