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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Ultramaratonista vegetariano corre até 160 horas



Alexandre Nogueira Penna, de 45 anos, faz coisas difíceis de imaginar. O ultramaratonista chega a correr provas de 140 horas e 160 horas com apenas dois ou três dias de descanso entre as competições. O tradutor desafia os limites do corpo sem comer carne há mais de 30 anos e faz questão de dizer que não toma qualquer tipo de analgésico ou suplementação alimentar para conseguir correr tanto. Seus treinos chegam a 100 km em um único dia. “Nunca tomei analgésicos, pois sempre acreditei que para se obter resultados reais nas provas é necessário não mascarar o desempenho. Só assim eu terei a real ideia de meu limite. Meu corpo praticamente não acumula dores, apesar da intensidade e duração dessas provas. Creio que isso tem muito a ver com meu estilo de vida, princípios e alimentação, comenta o ultramaratonista.”

O atleta começou sua carreira de corredor de longas distâncias ainda na adolescência, aos 14 anos ele morava nos EUA e corria longas distâncias sem dificuldade, sua diversão era sair da cidade de Rochester e cruzar a fronteira até o Canadá, aproximadamente 140 quilômetros. A vontade de correr cada vez mais longe não parou. “Com o passar dos anos, tive a curiosidade de saber qual seria o limite do ser humano em correr grandes distâncias, o meu limite. Meu corpo e mente funcionam como um laboratório de coleta de dados”, comentou Alexandre.

Já adulto estudou química, na Universidade de São Paulo, e teve a possibilidade de cursar disciplinas em outras áreas. Começou a treinar sério para competir em ultramaratonas. “Através de pesquisas na área de fisiologia do esporte eu treinava e competia para fazer um levantamento mais detalhado de meu desempenho físico e mental em situações extremas”, relembrou o atleta.

Atualmente Alexandre é especialista em provas de vários dias seguidos em pistas de concreto e asfalto. As provas de que ele participa atualmente são de 144 horas ou mais, modalidade de corrida de vários dias seguidos em que os participantes correm durante o dia e a noite; são as chamadas “Multiday Ultramarathons”. [...]

Alexandre não tem nutricionista; o combustível para tanto exercício vem da alimentação macrobiótica, baseada em grãos, cereais, feijões, lentilhas, grão de bico, frutas, proteína de soja, verduras e legumes. Alexandre não come carne nem de peixe, não toma refrigerante, não come industrializados, não toma qualquer coisa que tenha cafeína ou álcool. “Existe o mito eterno da falta de proteína. Na realidade, o que precisamos é de aminoácidos para produzir as proteínas. Não uso suplementação alimentar. O fato de eu me alimentar muito bem é fator decisivo para o meu bom desempenho nas provas, ao ponto de eu nunca ter me machucado ou ter tido qualquer tipo de lesão”, afirmou o ultramaratonista. [...]

Globo.com

segunda-feira, 6 de junho de 2011

GOTA

Considerada a "doença dos reis" por estar associada a uma dieta rica em carnes e álcool, a gota tornou-se um problema mais plebeu. O número de americanos com gota está aumentando conforme a população envelhece, torna-se mais pesada e exposta a alimentos e substâncias que podem precipitar a doença, que também cresce em nível global.
Historicamente uma doença masculina, a gota tem aumentado em mulheres mais velhas, que, até a menopausa, são protegidas pelo hormônio estrogênio.
A gota é causada por um alto nível de ácido úrico no sangue. O ácido forma cristais de urato irritantes que se instalam nas articulações ou nos tecidos moles, causando dor intensa. O ácido úrico é produzido quando o corpo metaboliza as purinas, componentes comuns de muitos alimentos, especialmente carne de vísceras, anchovas, arenques, aspargos e cogumelos. O consumo excessivo de álcool e possivelmente bebidas que contêm fructose também está envolvido.
Níveis elevados de ácido úrico podem ser consequência de sua produção excessiva pelo corpo ou da incapacidade dos rins de eliminá-lo adequadamente.
A doutora Tuhina Neogi, reumatologista da Escola de Medicina da Universidade de Boston, explicou que os humanos não têm a enzima uricase e, portanto, são incapazes de transformar o urato em alantoína, o produto final do metabolismo da purina.
Entre os medicamentos ligados a um risco maior de causar gota estão os diuréticos tiazidas, usados para tratar a alta pressão sanguínea; ciclosporina, um imunossupressor usado para evitar a rejeição de órgãos em pacientes de transplante; e a aspirina de baixa dosagem.
Até as drogas usadas para reduzir o ácido úrico podem provocar um ataque de gota, ela disse.
O risco da gota também é maior entre pessoas com distúrbios que são comuns na sociedade moderna, como hipertensão, diabetes, colesterol alto, aterosclerose e insuficiência cardíaca congestiva, obesidade e a chamada síndrome metabólica, que inclui a resistência à insulina.
Um histórico de gota na família é um fator de risco, pois vários genes já foram relacionados à doença. A doutora Neogi disse que a reação das pessoas ao ácido úrico varia muito. Nem sempre há altos níveis dele no sangue durante uma crise de gota, e algumas pessoas com altos níveis nunca desenvolvem a doença.
Embora os sintomas sejam geralmente característicos -o rápido desenvolvimento de dor forte, vermelhidão e inchaço, principalmente no dedão do pé-, um diagnóstico mais preciso exige a detecção de cristais de urato em uma articulação inflamada. Às vezes, nos mais velhos, diversas juntas podem ser afetadas.
Se a gota não for tratada, depósitos de cristais de urato podem se formar em nódulos embaixo da pele. Esses podem inchar e ficar doloridos nas crises de gota. Os depósitos de urato também podem causar pedras nos rins.
O tratamento começa com mudanças para limitar o consumo de purinas, o que significa evitar carnes de vísceras e reduzir o consumo de aves e frutos do mar. É melhor consumir mais laticínios com baixo teor de gordura, ovos e proteína vegetal.
Suco de cereja (ou comer cerejas e outras frutas de cor escura) pode ser uma proteção. Beber bastante água limita o acúmulo de urato e mantém os rins limpos. O álcool deve ser evitado.
Altas doses de ibuprofeno reduzem a dor e a inflamação. Um médico poderia prescrever colchicina. Infelizmente, essa pode causar efeitos colaterais como náusea, vômito e diarreia. Um corticosteroide como a prednisona pode ser tomado oralmente ou injetado para reduzir a dor e a inflamação.

Fonte: Folha de S.Paulo
Notícia publicada em: 06/06/2011
Autor: JANE E. BRODY

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