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terça-feira, 27 de outubro de 2015

OMS, VEGETARIANOS E CARNE VERMELHA


Salsicha e bacon, entre outros embutidos, foram classificados como produtos carcinogênicos pela OMS (Foto: Joe Raedle/Getty Images North America/AFP)

"Quantas crises alimentares nós devemos enfrentar antes que as pessoas se deem conta de que as proteínas animais não são boas para nós", reagiu Jasmijn de Boo, presidente da Vegan Society, organização criada em 1944 com sede na Grã-Bretanha.

"A salmonela nos anos 1980, a 'vaca louca' nos anos 1990, a febre aftosa nos anos 2000, a carne de cavalo há dois anos e agora isso: não adianta passar de uma carne para outra. É mais saudável e melhor para o meio ambiente e para os animais ser vegano", disse à AFP o líder da associação que prega a exclusão total de todos os produtos de origem animal da alimentação, mesmo o leite e o queijo.

Mais do que reduzir nosso consumo (de produtos à base de carne), nós devemos retirá-los completamente da nossa dieta. Existem muitas alternativas", defendeu.

Em nome da União Europeia dos Vegetarianos, que aceitam os produtos à base de leite, Renato Pichler declarou estar "contente que a OMS tenha aceito a conexão entre o consumo de carnes e certos cânceres".

Para Brigitte Gothière, pota-voz da organização L214, que também prega a ausência total de produtos de origem animal da alimentação em nome do respeito aos seres vivos, "o estudo da OMS é mais um argumento em favor de uma alimentação que exclui os produtos à base de carne".

"As dietas veganas são normalmente criticadas pelos médicos, mas este estudo mostra que ser vegano também nos protege de algumas doenças", alfinetou.

Diante da pecuária extensiva, "a questão da ética face aos animais se impõe cada vez mais, talvez até mais do que a questão da saúde", acrescentou Brigitte Gothière.

A Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer (IARC), uma agência da Organização Mundial da Saúde (OMS), colocou o consumo excessivo de carnes processadas, como embutidos ou frios, no Grupo 1 de risco de levar ao desenvolvimento de câncer, principalmente o colorretal.

Entre os cânceres mais frequentemente associados à carne, aparecem o câncer colorretal e em quantidade menor, os cânceres de próstata e do pâncreas, segundo o estudo.



As carnes processadas foram colocadas na lista do grupo 1 de carcinogênicos, que já inclui tabaco, amianto e fumaça de diesel. Porém, segundo os especialistas, isso não significa que esse produto é tão perigoso quanto o cigarro, por exemplo.

A carne processada foi incluída nessa categoria, pois existem evidências claras de sua relação com o câncer. Porém o aumento de risco do câncer ocasionado pelo tabaco é muito mais significativo.

“Ao colocar a carne processada no grupo de carcinogênicos, ela fica no mesmo patamar que o fumo, por exemplo, em que a recomendação é não consumir”, diz o cirurgião oncologista Samuel Aguiar Junior, diretor do Departamento de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center.

“Porém, o consumo esporádico e em pequenas quantidades de carne processada não leva a um aumento do risco de câncer comparável ao tabaco”, afirma.

Segundo o Cancer Research UK, enquanto 86% dos casos de câncer de pulmão estão ligados ao uso de tabaco, 21% dos casos de câncer de intestino estão ligados ao consumo de carne processada e vermelha.


A classificação não significa que as pessoas devem parar de comer carne. Aguiar Junior observa que a carne vermelha fresca, não processada, é um componente importante da alimentação e o consumo adequado traz benefícios para a saúde.

Segundo o oncologista, uma quantidade considerada segura é 70 gramas por dia para homens e 55 gramas por dia para mulheres.

Para o médico Gilberto Lopes, oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas do Brasil e membro da Sociedade de Oncologia Clínica Americana (Asco), a dieta do brasileiro é caracterizada por ser rica em carne vermelha: o ideal seria reduzir o consumo a no máximo três vezes por semana.

Já em relação à carne processada, não se sabe qual seria uma quantidade segura. O que a revisão de estudos provida pelo IARC concluiu foi que o consumo de uma porção de 50 gramas por dia de carne processada aumenta o risco de câncer colorretal em 18%.

Para se ter uma ideia, uma única salsicha pesa 50 gramas, três fatias finas de presunto pesam 40 gramas, sete fatias de salame pesam 40 gramas e uma linguiça pode chegar a 100 gramas.


Segundo a classificação da IARC, carne vermelha são todos os tipos de carne de mamíferos como vaca, porco, cordeiro, carneiro, cavalo e cabra.

Já as carnes processadas, também conhecidas como embutidos, são aquelas com adição de sal ou outros produtos para realçar o sabor e aumentar o tempo de conservação, ou que tenham sido fermentadas ou defumadas.

Esses produtos geralmente contêm carne de vaca ou de porco, mas também incluem os produzidos com carnes de aves e outros produtos relacionados à carne, como sangue. Entre eles estão bacon, toucinho, presunto, salsicha, linguiça e salame.


Não. Segundo o oncologista Aguiar Junior, a carne vermelha não é o único vilão do câncer de intestino.

Para se prevenir a doença, além de moderar o consumo de carnes vermelhas e processadas, é indicado adotar uma dieta mais rica em verduras, frutas e cereais, além de aumentar as atividades físicas.

G1

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Carne processada pode causar câncer de pâncreas

Pesquisadores da Suécia sugerem que comer carne processada, como bacon e salsichas, pode estar relacionado com o câncer de pâncreas. Eles afirmam que comer 50g de carne processada – cerca de uma salsicha – todos os dias, pode aumentar o risco de câncer em 19%.
Comer carne vermelha e processada já foi ligado ao câncer de intestino. Como resultado da pesquisa, o governo do Reino Unido recomendou em 2011 que as pessoas não comam mais do que 70g por dia.
Susanna Larsson, que conduziu o estudo do Instituto Karolinska, disse que a ligação da carne com outros tipos de câncer foi algo bastante controverso. “Sabemos que comer carne aumenta o risco de câncer colorretal, mas não é muito conhecida a ligação com outros tipos de câncer”, disse.


O novo estudo analisou informações de 11 outras pesquisas e 6.643 pacientes com câncer de pâncreas. Ele sugere que o risco de câncer de pâncreas aumenta 19% para cada 50g adicionados a dieta diária. Ter 100g extras aumentaria o risco em 38%.
O risco de desenvolver câncer de pâncreas em toda a vida é “relativamente pequeno”, de acordo com um instituto de estudo de câncer britânico – um em cada 77 homens e uma em cada 79 mulheres.
“Ainda não sabemos se a carne é um fator de risco definido para o câncer de pâncreas e outros grandes estudos são necessários para confirmar isso, mas essa nova análise sugere que a carne processada pode estar desempenhando um papel”, afirma Sara Hiom, diretora do instituto. No entanto, ela ressaltou que o fumo é um fator de risco muito maior.


O Fundo Mundial para a Pesquisa em Câncer alertou as pessoas para que evitem comer carne processada.
O pesquisador Rachel Thompson disse: “Vamos re-examinar os fatores por trás do câncer pancreático no final deste ano como parte do nosso projeto de atualização contínua, que deve nos dizer mais sobre a relação entre o câncer de pâncreas e carne processada. Há fortes evidências de que estar acima do peso ou obeso aumenta o risco de câncer de pâncreas, e este estudo pode ser uma indicação de outro fator por trás da doença.”