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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ministério da Saúde admite que errou no combate à gripe suína

Após revisar prontuários das pessoas que morreram em decorrência da gripe suína em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, admitiu que o Brasil errou na política de combate à gripe suína.
"Em vez de usarmos uma estratégia que já se mostrava eficaz (o uso do antiviral oseltamivir), ficamos discutindo quem vacinar, se vamos vacinar jovens ou não. Não aprendemos com os ensinamentos de 2009", disse, referindo-se ao ano da pandemia.
Para Barbosa, o País travou um "debate enviesado" em relação à importância da vacina. Ele comparou a estratégia adotada pelo governo brasileiro, centrada na vacinação, com a utilizada pelo Chile naquele ano.
"O Chile, que possui um inverno muito mais forte, teve um terço das mortes das Regiões Sul e Sudeste do Brasil - a taxa de mortalidade no Chile ficou em 0,8 por 100 mil habitantes e aqui, em 3,2 por 100 mil habitantes. A diferença básica é que o Chile usou o oseltamivir em larga escala. O Chile perdeu 1 grávida; o Brasil, 200", afirmou.
A revisão feita pelo ministério nos prontuários dos mortos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul mostra que a grande maioria das vítimas "ou não teve acesso ou teve acesso atrasado" ao antiviral oseltamivir, disse Barbosa.
Segundo o ministério, a causa do problema é a pouca tradição do brasileiro de tratar gripe com remédios. É comum os pacientes chegarem tarde aos serviços de saúde porque tentaram driblar os sintomas da gripe suína com chás e receitas caseiras. Essa cultura afeta os médicos, que não prescrevem o oseltamivir, conhecido pela marca Tamiflu.
Antes da chegada do inverno, o ministério emitiu alerta aos médicos sobre as doenças respiratórias e distribuiu um material com orientações - principalmente para os Estados do Sul, além de São Paulo e Minas Gerais - sobre o período adequado para a medicação e a dosagem.
Neste ano, até o dia 20 de agosto, o País registrou 2.398 casos da doença e 307 mortes. Desse total, 1.786 pessoas adoeceram e 177 morreram na Região Sul.

Equívoco.

O Ministério da Saúde recomenda que não se espere pelo resultado de exame que aponta a existência ou não do vírus H1N1 para iniciar o tratamento. Qualquer paciente com síndrome gripal - tosse ou dor de garganta, com febre de 38°C - deve ter acesso ao remédio.
"O ministério distribuiu 1 milhão de tratamentos, 10 milhões de cápsulas. E orientou a descentralizar a medicação em postos, UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), nas secretarias municipais. Se o paciente tiver receita médica, mesmo que da rede privada, o remédio tem de ser entregue", afirmou Barbosa.
Para o coordenador de Programas e Projetos da Fundação Oswaldo Cruz, em Brasília, José Cerbino, o acesso ao oseltamivir "é fundamental". Ele defendeu a tese Pandemia de Influenza no Brasil: Epidemiologia, Tratamento e Prevenção da Influenza A, no Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).
A pesquisa identificou a eficácia do oseltamivir no tratamento da gripe suína. "Nos pacientes internados no Rio, o medicamento reduziu em até 60% as mortes, mesmo quando utilizado até o quarto dia. A gente tinha dúvida de quanto tempo depois do início dos sintomas o oseltamivir se mostrava eficaz. A recomendação era de até 48 horas. Na pandemia, esse período foi alargado e o remédio foi iniciado até quatro dias depois do início dos sintomas, com eficácia."

PARA ENTENDER: Primeiros casos foram em 2009

Os primeiros casos de gripe suína foram registrados em abril de 2009 nos Estados Unidos e no México. Duas semanas depois, havia doentes na Europa e na Ásia. A propagação do vírus H1N1 foi rápida e, em junho daquele ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a gripe suína havia se tornado pandêmica. Governos se mobilizaram para comprar vacinas e antivirais e imagens de milhares de pessoas em fila à espera do imunizante rodaram o mundo. Em muitos países houve sobra de vacinas. Grupos farmacêuticos tiveram lucros milionários e a OMS foi acusada de espalhar pânico desnecessário. Estima-se que em um ano o H1N1 tenha matado 18,4 mil pessoas.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

MS reforça orientação para uso do oseltamivir


Em localidades de circulação comprovada do vírus da influenza A/H1N1, o Ministério da Saúde orienta que os pacientes com síndrome gripal sejam tratados com o antiviral oseltamivir nas primeiras 48 horas do início da doença, sem aguardar resultados de exames laboratoriais ou sinais de agravamento da doença. A orientação é para todas as pessoas, até mesmo aquelas que estão fora dos grupos de risco.

Para reforçar a recomendação, o Ministério da Saúde elaborou – em parceria com as secretarias de saúde dos estados onde há maior circulação do vírus A H1N1 – um cartaz que já está disponível no site da Secretaria de Vigilância em Saúde para livre reprodução pelas secretarias estaduais e municipais de saúde.

O cartaz tem como objetivo auxiliar os médicos no atendimento aos pacientes com sintomas de gripe, não apenas sobre os casos em que é indicado o uso do medicamento, bem como sua dosagem de acordo com a faixa etária do paciente.

A orientação, no entanto, só é válida aos estados onde há grande circulação do vírus da Influenza A/H1N1. Para os outros locais continuam valendo as recomendações do Protocolo de Tratamento da Influenza, do Ministério da Saúde. O protocolo recomenda que, para as pessoas dos grupos vulneráveis a complicações – como gestantes, crianças pequenas, idosos e portadores de doenças crônicas – o tratamento com o remédio seja iniciado o mais rápido possível, após os primeiros sintomas, sem aguardar resultados de laboratório ou sinais de agravamento.

Já os pacientes com síndrome gripal, que não pertencem aos grupos de risco, devem receber o medicamento imediatamente, caso apresentem sinais de agravamento, como falta de ar ou persistência da febre por mais de três dias.

O antiviral, que é capaz de reduzir as formas graves e óbitos pela doença, é oferecido na rede pública, de forma gratuita e com orientação médica, às pessoas com síndrome gripal. A prescrição médica pode ser emitida tanto por profissionais da rede pública como da rede privada. Para atingir sua eficácia máxima, o antiviral deve ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença. Entretanto, mesmo ultrapassado esse período, o Ministério da Saúde indica a prescrição do medicamento.

Estoque - Todos os estados e municípios estão abastecidos com o oseltamivir, conhecido comercialmente como tamiflu. O Ministério da Saúde mantém estoque estratégico do remédio. Só neste ano, foram repassados às secretarias estaduais de saúde 418,8 mil caixas do remédio. Antes desta distribuição, no entanto, os estados já estavam abastecidos com o medicamento. Cada caixa contém 10 comprimidos, suficientes para um tratamento completo.

O vírus da gripe A H1N1, que surgiu em 2009, no México, ainda circula no mundo inteiro, mas é pouco provável a ocorrência de epidemias, como a pandemia de 2009, quando o Brasil registrou 2.060 óbitos. Em agosto de 2010, com base nos dados epidemiológicos registrados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia como encerrada. Entretanto, continuam ocorrendo casos, podendo haver surtos localizados.

Mitos e verdades: H1N1 atinge mais jovens

Mesmo após o surto da gripe suína em 2009, muito se fala sobre a doença no país. O número de pessoas que contraem o vírus H1N1 diminuiu, mas os mitos com relação a ele ainda são muitos. Para esclarecer o que é verdade sobre o assunto, foi listado algumas das maiores dúvidas em relação ao assunto.

O vírus influenza A (H1N1) é o mais violento e mata mais do que o normal? O comportamento da nova gripe se assemelha ao da gripe comum. Ou seja, o vírus A (H1N1) não se apresentou mais violento ou mortal. No entanto, estudos mais aprofundados ainda devem ser realizados, em todo o mundo, para esclarecer o comportamento do novo vírus.

O ar é a única forma de transmissão do vírus?
O vírus é transmitido de pessoa a pessoa, principalmente por meio da tosse ou do espirro e de contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas. No entanto, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a principal forma de transmissão não é pelo ar, mas sim pelo contato com superfícies contaminadas.

Lavar as mãos com água e sabão ajuda a prevenir a doença?
A população deve ser orientada a tomar alguns cuidados de higiene, como lavar bem e com frequência as mãos com água e sabão, evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies, não compartilhar objetos de uso pessoal e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.

Os jovens são os que mais pegam a doença?
Sim. Porém, embora a incidência da doença seja maior entre esse público, ainda não há estudos mundiais conclusivos sobre a transmissibilidade da doença, ou seja, que esclareça melhor o comportamento da nova doença.

É preciso evitar locais fechados?
A recomendação é evitar locais com aglomerados de pessoas, pois isso reduz o risco de contrair a doença.

É preciso usar máscara em lugares de grande circulação, para evitar o contágio?
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a principal forma de transmissão não é pelo ar, mas sim pelo contato com superfícies contaminadas. Por isso o uso de máscaras pela população não é recomendado pelo Ministério da Saúde. Entretanto, quem está doente deve fazer uso de máscara quando houver necessidade de contato com outras pessoas, para não transmitir o vírus.

É possível ser infectado com a influenza A (H1N1) enquanto está com gripe comum?
Não. Um dos motivos para que isso ocorra é a concorrência natural entre os vírus, o que leva à predominância de um em detrimento do outro. Por isso, não há infecção simultânea pelo vírus influenza.

Uma pessoa pode ter influenza mais de uma vez?
Sim, mas não causada pelo mesmo subtipo de vírus e nem em um curso espaço de tempo. Isso porque a pessoa fica imunizada pelo subtipo de vírus depois de ter a doença. Também porque o vírus circula mais em um determinado período do ano (por isso é chamado de sazonal), especialmente no inverno, estação que varia de acordo com o hemisfério do planeta. No caso do Brasil, a circulação do vírus da gripe aumento no período de junho a outubro. Portanto, a probabilidade de uma pessoa contrair gripe nesse intervalo de tempo é maior.

A pessoa que teve influenza cria imunidade ao vírus?
Sim. Esse comportamento é comum em infecções por vírus. Depois de contrair a doença, o organismo humano cria defesas contra o “inimigo”, evitando futuras infecções pelo mesmo vírus.

No inverno é mais comum a disseminação do vírus?
Em virtude das baixas temperaturas e da maior permanência das pessoas em locais fechados, o risco de transmissão é maior.

A pessoa assintomática pode transmitir o vírus?
Sim. É importante lembrar que as medidas de higiene respiratória e pessoal devem ser praticadas independentemente da presença ou não de sintomas, pois apresentam resultado muito importante na interrupção da transmissão.

O vírus resiste mesmo fora do organismo?
Sim. O vírus resiste de 24 horas a 72 horas fora do organismo.

Há possibilidade de o paciente ter a doença e não ter os sintomas?
Sim. Podem ocorrer casos assintomáticos, quando a pessoa tem o vírus no organismo, mas não apresenta os sintomas mais comuns, como febre alta repentina, tosse e dor nas articulações, entre outros.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

MICROLABORATÓRIO PORTÁTIL DETECTA VÍRUS EM 35 MINUTOS

O aparelho portátil de detecção de vírus pode ajudar a evitar o espalhamento de pandemias, como a gripe aviária ou a gripe A(H1N1).
Ele é pequeno e leve, cabe na palma da mão, funciona com pilhas e pode detectar vírus em apenas 35 minutos.
Assim é o novo sensor desenvolvido pela equipe liderada por Pavel Neuzil, do Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia de Cingapura.
Os pesquisadores adaptaram em um dispositivo portátil a tecnologia de detecção de vírus, com potencial para salvar milhões de vidas, especialmente nos países mais pobres e em áreas remotas, onde não se dispõe de laboratórios clínicos.

A técnica mais sensível e mais confiável para detecção de vírus disponível atualmente chama-se transcrição reversa da reação em cadeia da polimerase (PCR), que pode ser feita em tempo real.
A tecnologia envolve a criação de cópias de DNA complementar do RNA viral, multiplicando o número de cópias de DNA e misturando-as com um corante fluorescente.
As diferenças sutis na intensidade da fluorescência refletem a presença e a quantidade do RNA viral, o que permite não apenas identificar o vírus, mas também detectar sua concentração.
Mas aparelhos de PCR são grandes, precisam ser instalados em laboratórios e são caros.

Os pesquisadores conseguiram miniaturizar ao extremo seu aparelho PCR substituindo o bloco de alumínio do aparelho convencional por uma pastilha de silício microusinada - o chamado lab-on-a-chip.
A fonte de luz, geralmente um laser azul, foi substituída por um diodo emissor de luz, um LED. O tubo fotomultiplicador, que serve para detectar a luz das amostras fluorescentes, por sua vez, foi substituído por um fotodiodo.
Os testes confirmaram que analisador PCR portátil consegue detectar o vírus H5N1 - o vírus da gripe aviária - em apenas 35 minutos.
O microlaboratório não apenas é confiável e rápido, mas também pode ser fabricado a um custo muito baixo, o que o torna particularmente adequado para aplicações de campo e atendimento rápido no consultório.
"O dispositivo de detecção já está pronto para ser usado em sua forma atual e é adequado para o acompanhamento de surtos de influenza aviária, especialmente nas áreas rurais dos países em desenvolvimento," afirmou Juergen Pipper, membro da equipe de pesquisa. "Nós também podemos ajustar o sistema para que ele detecte outras doenças infecciosas, incluindo a SARS".

Bibliografia:

Rapid detection of viral RNA by a pocket-size real-time PCR system
Neuzil, P., Novak, L., Pipper, J., Lee, S., Ng, L.F.P., Zhang, C.
http://www.rsc.org/Publishing/Journals/lc/
Vol.: 10, 2632-2634
DOI: 10.1039/c004921b

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