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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Os riscos da automedicação

Quem nunca tomou um analgésico sem prescrição médica, para acabar com aquela dor de cabeça irritante, febre ou dor no corpo? Pois é, a automedicação é cada vez mais comum entre os brasileiros. De acordo com a Associação Brasileira de Indústrias (ABIFARMA), 80 milhões de pessoas têm o hábito de se automedicar.

O problema é que essa atitude traz sérios riscos à saúde.

O cardiologista e presidente da regional de Marília da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), Paulo Celso dos Santos Moreira, lembra que os medicamentos tomados sem indicação médica podem, inclusive, ter o efeito contrário ao esperado pelo indivíduo. "Remédios podem melhorar ou piorar a situação de quem os ingere. Quando isso é feito sem orientação de um especialista, há risco de que a situação piore tanto que o paciente morra ou precise ficar internado. Na minha área, cardiologia, grande parte dos medicamentos tem o poder de matar", diz.

O especialista alerta que os anti-inflamatórios, como o diclofenaco, aumentam o risco de morte vascular, além de elevar a pressão arterial e irritar o estômago. Outro tipo de remédio que é comumente vendido sem receita médica são os antibióticos. "Isso é grave, pois o organismo pode se acostumar com determinado antibiótico, impedindo que o medicamento tenha algum resultado", declara.

Os diuréticos também são usados de forma indiscriminada por muitos pacientes, e podem causar desidratação ou até insuficiência renal. "Esse é o tipo de medicamento que o paciente não deve tomar sem prescrição médica, nunca. Só que as pessoas acham que, se alguma parte do corpo incha, devem tomar um diurético, o que é um mito. Aquela região pode ter inchado por outras razões, como uma disfunção venosa", afirma.

Combinar dois ou mais remédios é perigoso. "Vários medicamentos são antagonistas ou incompatíveis. Se um homem toma um dilatador de vasos, por exemplo, combinado ao Sildenafil (princípio ativo do Viagra), pode levá-lo a sofrer hipotensão", decreta o especialista. Ingerir quantidades diferentes daquelas escritas na receita médica é outro erro recorrente entre os pacientes: "Tomar um comprimido inteiro ou metade dele pode significar a cura ou a morte de um indivíduo".

Segundo Paulo, o ideal seria que as pessoas só tomassem remédio quando receitado por um médico. Mas a realidade brasileira impede que isso aconteça, pois é difícil, especialmente para as classes mais baixas, conseguir uma consulta médica. "Tomar um analgésico não oferece tantos riscos à saúde. Se a pessoa estiver com dores insuportáveis, como a dor de dente, pode até fazer uso de medicação. O importante é que ela saiba que a dor é apenas o sinal de um problema mais grave, que precisará do acompanhamento de um especialista", declara.

Então, é essencial conhecer os efeitos de uma substância antes de ingeri-la. E os profissionais capacitados para receitar medicamentos a fim de melhorar a saúde dos pacientes são os médicos. Por isso, não é bom sair tomando remédios sem a mínima orientação, só porque um amigo ou vizinho disse que vai fazer bem. Afinal, é a sua saúde que está em jogo.

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Perigos da automedicação

Um medicamento mal administrado pode trazer conseqüências muitas vezes inimagináveis. Um inofensivo comprimido para febre pode ser uma substância perigosa, quando ingerido com outro, em dosagem errada ou por uma pessoa alérgica.

Diclofenaco - Presente em antiinflamatórios, a substância pode causar úlcera a diarréias crônicas e reações em quem é alérgico. Em interação com diuréticos, pode anular seu efeito.

Dipirona - Presente em antitérmicos e analgésicos, a dipirona pode diminuir o efeito de alguns remédios para pressão alta e potencializar a ação de anticoagulantes, de certas drogas psiquiátricas, como lítio, e de alguns remédios para câncer.

Escopolamina - Presente em remédios para aliviar cólicas menstruais, pode causar taquicardia e retenção urinária.

Fluoxetina - Presente em antidepressivos, a substância pode diminuir a libido e provocar ideias suicidas e excitação exagerada (mania). Em interação com alguns antiinflamatórios e analgésicos, pode causar sangramento estomacal ou intestinal.

Isometepteno - Presente em analgésicos, pode piorar a pressão alta. Com antipsicóticos como a clorpromazina, a substância provoca queda da temperatura do corpo (hipotermia).

Paracetamol - Presente em analgésicos e antitérmicos, pode causar danos ao fígado em dosagens superiores a quatro miligramas por dia.

Clonazepam - Presente em ansiolíticos e antidepressivos, pode causar vertigens, tremores, perda de equilíbrio, dificuldade de movimento e dependência, ou seja, vicia. Bebidas alcoólicas aumentam seu efeito com reações imprevisíveis.

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

DICLOFENACO INTRAVENOSO EM CIRURGIAS ORAIS

Os anti-inflamatórias não esteroidais (AINES) são medicamentos que apresentam um perfil de segurança superior aos analgésicos opióides. Um estudo do jornal "Anesthesia Progress" apresentou um estudo comparativo entre cetorolaco e diclofenaco intravenoso e o diclofenaco se mostrou promissor no controle da dor pós-operatória.

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

RISCOS CARDIOVASCULARES DOS AINES

O uso frequente de remédios como o ibuprofeno e o diclofenaco (princípio ativo presente no Cataflan e no Voltaren) aumenta o risco de infartos e derrames, segundo uma revisão de estudos publicada ontem no "British Medical Journal".
Cientistas da Universidade de Berna, na Suíça, analisaram dados de 31 estudos com mais de 116 mil pacientes que tomavam naproxeno, ibuprofeno, diclofenaco, celecoxibe (Celebra), etoricoxibe (Arcoxia), rofecoxibe (Vioxx), lumiracoxibe (Prexige) ou placebo.
Em números absolutos, o risco cardiovascular de quem tomou essas drogas foi baixo, mas, em comparação com quem usou placebo, a diferença foi significativa, dizem os pesquisadores.
Os pacientes que tomaram Vioxx e Prexige tiveram o dobro de ocorrências de infarto.
Já o ibuprofeno resultou em um risco três vezes maior de derrame. O Arcoxia e o diclofenaco causaram quatro vezes maios mortes por problemas cardiovasculares.
Entretanto, o número de infartos e derrames foi baixo em relação ao total de pessoas envolvidas no estudo.
Dados de 29 pesquisas mostraram 554 infartos. Informações relativas a outros 26 estudos totalizaram 377 derrames.
Mesmo assim, Peter Juni, da Universidade de Berna, líder do estudo, afirmou que os resultados sugerem que os médicos devem considerar o risco para o coração ao receitar os anti-inflamatórios.
Depois de analisar os dados, a equipe suíça afirma que, em geral, o naproxeno pareceu ser o mais seguro.
Mas essa vantagem deve ser analisada junto com outros efeitos colaterais, como danos ao estômago. Uma alternativa seria o Celebra, dizem eles, se a dose for de 400 mg uma vez ao dia.

DEBATE

Para o professor de farmacologia clínica da Universidade de Edimburgo Simon Maxwell, é importante contextualizar os dados.
"A maioria das pessoas usa esses remédios por um período curto de tempo, e o risco para elas é mínimo."
Em 2004, o Vioxx foi retirado do mercado por causa dos riscos ao coração. O Prexige parou de ser vendido no Brasil em 2008.
Os pesquisadores dizem que, desde então, tem havido discussões sobre a segurança dos anti-inflamatórios, mas os estudos feitos no período não foram conclusivos.

Fonte: Folha de S.Paulo
Notícia publicada em: 14/01/2011
Autor: Indefinido

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