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terça-feira, 23 de junho de 2015

Infância domada a PÍLULAS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 20% das crianças e adolescentes do mundo sofrem de transtornos comportamentais ou mentais. Por isso, há algum tempo a ciência investiga de que modo estes males estão sendo tratados. As conclusões revelam aos especialistas um panorama extremamente preocupante. Em todo o planeta, observa-se um número assustador de meninos e meninas sendo medicados com remédios tarja preta, que afetam o sistema nervoso central e têm a venda regulada. Eles vivem uma infância tratada a pílulas.

Embora se trate de um fenômeno entendido pelos especialistas como algo real e inquestionável, a super medicalização das crianças ainda é difícil de ser mensurada com bastante precisão. Há dados às vezes mais contundentes e outros apenas indicativos. No Brasil, uma ideia da dimensão do problema pode ser vista peto aumento na venda de ritaiina, medicação usada para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e de Hiperatividade (TDHA). Segundo dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em outubro de 2009 foram vendidas 58,7 mil caixas do medicamento. Três anos depois, no mesmo mês, as vendas somaram 108,6 mil caixas. É verdade que a droga é usada também por adultos portadores do transtorno, mas sabe-se que a maior parte dos usuários é de crianças e adolescentes.

Outro recorte - resultado de uma pesquisa feita pela Universidade Potiguar, no Rio Grande do Norte - ajuda a entender a gravidade do problema por aqui. Estagiários da instituição que atendem turmas de alunos de ensino básico observaram que vários estudantes tomavam psicofármacos. Especialistas do Serviço de Psicologia resolveram investigar o que estava acontecendo. "Recebemos crianças e adolescentes com prescrições de Ritalina (psicoestimulante), Rivotril (usado como ansiolítico) e remédios para dormir", afirma Vania Calado, doutoranda em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e coordenadora do Serviço. Nada menos do que 36% dos alunos atendidos têm menos de 11 anos.

A questão em torno do abuso na prescrição de remédios psiquiátricos a crianças tornou-se uma das principais preocupações de psiquiatras, pediatras e psicólogos. Tanto que obrigou entidades da importância da Associação Americana de Pediatria, por exemplo, a se posicionar publicamente alertando para o problema. A discussão principal é como evitar o hiper e o sub diagnóstico. No primeiro caso, um jovem que passa, por exemplo, por uma tristeza normal, dessas que todo ser humano experimenta, pode ser equivocadamente diagnosticado como depressivo e passar a tomar remédio sem a menor necessidade. Na segunda, um garoto realmente portador do transtorno de déficit de atenção, que lhe rouba a capacidade de seguir o ritmo dos colegas na escola, pode acabar avaliado apenas como desatento ou desinteressado. E passar anos e anos sem receber a ajuda que precisa.

A habilidade de diferenciar a normalidade da patologia é o maior desafio para os especialistas. "Todos passamos por situações de tristeza e de desatenção em algum grau, mas só algumas pessoas são portadoras de depressão ou de TDAH, por exemplo", afirma o psiquiatra Paulo Mattos, coordenador do Grupo de Estudos do Déficit de Atenção do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No caso das crianças, a dificuldade em reconhecer o que está havendo muitas vezes pode ser maior do que a experimentada em relação aos adultos. "O diagnóstico de um transtorno infantil pode criar uma zona de conforto para a aceitação dos problemas", afirma o psiquiatra Moises Groisman, autor do livro Terapia Familiar Breve na Infância e na Adolescência. "Várias vezes demonstro que o comportamento considerado anormal não é um transtorno. É mimo", diz.

Porém, muitas vezes a avaliação é feita por profissionais não qualificados. O resultado é desastroso. "Há jovens que deveriam tomar os remédios e não o fazem e outros sendo medicados sem necessidade", diz o psiquiatra Mattos. No documento "Manifesto por uma melhor saúde mental", institutos de psiquiatria e psicologia da Inglaterra revelam o que pode acontecer, por exemplo, quando a criança precisa de ajuda e não a recebe. Eles estimam que até 2020 cem mil crianças e adolescentes ingleses sejam hospitalizados anualmente por auto-mutilação por não receberem tratamento para o transtorno. Na Nova Zelândia, um levantamento feito pelo Ministério da Saúde mostrou que vinte mil adolescentes daquele país consumiram antide-pressivos em 2013.

A carioca Solange Brito, 52 anos, passou por quatro especialistas até que seu filho, Rafael, 12 anos, recebesse o diagnóstico de transtorno de humor e TDAH. Hoje medicado, leva uma vida normal. "Agora, se concentra. Antes, isso era impossível", atesta a mãe. Já Denise de Oliveira, 48 anos, resistiu em dar medicação a seu filho Diego, 13 anos, portador de um transtorno do desenvolvimento. Mas cedeu. "Medicação não é fórmula mágica, mas ajuda", diz. Experiência diferente viveu a contadora baiana Rosana Paulo, 50 anos, cujo filho mais velho, Rafael, chorava muito e chamava atenção da professora pelos problemas motores que atrapalhavam a escrita. Após ouvir alguns médicos, parou de trabalhar por dois meses, tirou o menino da escola e passou a dedicar-se prioritariamente a ele. Descobriu que ele era canhoto. Por isso só produzia garranchos ao tentar escrever com a mão direita. Hoje, aos 18 anos, Rafael se prepara para o vestibular.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Perigos da automedicação

Um medicamento mal administrado pode trazer conseqüências muitas vezes inimagináveis. Um inofensivo comprimido para febre pode ser uma substância perigosa, quando ingerido com outro, em dosagem errada ou por uma pessoa alérgica.

Diclofenaco - Presente em antiinflamatórios, a substância pode causar úlcera a diarréias crônicas e reações em quem é alérgico. Em interação com diuréticos, pode anular seu efeito.

Dipirona - Presente em antitérmicos e analgésicos, a dipirona pode diminuir o efeito de alguns remédios para pressão alta e potencializar a ação de anticoagulantes, de certas drogas psiquiátricas, como lítio, e de alguns remédios para câncer.

Escopolamina - Presente em remédios para aliviar cólicas menstruais, pode causar taquicardia e retenção urinária.

Fluoxetina - Presente em antidepressivos, a substância pode diminuir a libido e provocar ideias suicidas e excitação exagerada (mania). Em interação com alguns antiinflamatórios e analgésicos, pode causar sangramento estomacal ou intestinal.

Isometepteno - Presente em analgésicos, pode piorar a pressão alta. Com antipsicóticos como a clorpromazina, a substância provoca queda da temperatura do corpo (hipotermia).

Paracetamol - Presente em analgésicos e antitérmicos, pode causar danos ao fígado em dosagens superiores a quatro miligramas por dia.

Clonazepam - Presente em ansiolíticos e antidepressivos, pode causar vertigens, tremores, perda de equilíbrio, dificuldade de movimento e dependência, ou seja, vicia. Bebidas alcoólicas aumentam seu efeito com reações imprevisíveis.

PORTAL EDUCAÇÃO

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

AUMENTO DE VENDA DE CLONAZEPAM NO BRASIL

A venda do ansiolítico clonazepam disparou nos últimos quatro anos no Brasil, fazendo do remédio o segundo mais comercializado entre as vendas sob prescrição.

Entre 2006 e 2010, o número de caixinhas vendidas saltou de 13,57 milhões para 18,45 milhões, um aumento de 36%. O Rivotril domina esse mercado, respondendo por 77% das vendas em unidades (14 milhões por ano).

O levantamento foi feito pelo IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica, a pedido da Folha. O tranquilizante só perde hoje para o anticoncepcional Microvlar (em média, 20 milhões de unidades por ano).

Para os psiquiatras, há um abuso na indicação desse medicamento tarja preta, que causa dependência e pode provocar sonolência, dificuldade de concentração e falhas da memória.

Eles apontam algumas hipóteses para explicar o aumento no consumo: as pessoas querem cada vez mais soluções rápidas para aliviar a ansiedade e o clonazepam é barato (R$ 10, em média).

Médicos de outras especialidades podem prescrever o ansiolítico e há falta de fiscalização das vigilâncias sanitárias no comércio da droga.

Procurada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não se manifestou sobre o assunto.

Para o psiquiatra Mauro Aranha de Lima, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina), é "evidente" que existe indicação inapropriada do remédio, especialmente por parte de médicos generalistas, não familiarizados com a saúde mental.

Muitos pacientes, segundo ele, já chegam ao consultório com queixas de ansiedade e pedindo o Rivotril. "As pessoas trabalham até tarde, chegam em casa ansiosas e querem dormir logo. Não relaxam, não se preparam para o sono. Tomar Rivotril ficou mais fácil", diz ele, também presidente do Conselho Estadual Sobre Drogas.

Lima explica que entre as medidas adotadas pelo Cremesp para conter o abuso no uso do remédio estão cursos de educação continuada voltados a médicos generalistas.

Na sua opinião, a precariedade do atendimento de saúde mental no país também propicia o abuso do remédio.

O psiquiatra José Carlos Zeppellini conta que recebe muitos pacientes que não tinham indicação para usar o remédio e que se tornaram dependentes da droga.

"Em geral, começaram a tomá-lo por sugestão de amigos e vizinhos, em um momento de tristeza, após terminar um namoro, por exemplo. Não é doença. Depois, não conseguem parar de tomá-lo porque têm medo de não se adaptar. É mais uma dependência psíquica do que física", acredita ele.

Entre os usuários do Rivotril, existe um misto de glamorização e demonização em relação à droga.

Páginas no Facebook, classificadas na categoria entretenimento, tratam o Rivotril como "remedinho maravilhoso". Outros grupos on-line, porém, discutem a dependência e os efeitos colaterais do remédio.

Estimula a ação de um ácido (conhecido como gaba) no cérebro, que inibe a ativação de áreas relacionadas ao medo e à ansiedade

Reforça os estágios do sono REM, que correspondem aos períodos de sonhos, mas reduz os estágios não REM. Essas fases são justamente as que restauram as atividades nos neurônios

Tratamento de vários transtornos mentais, como síndrome do pânico, distúrbio bipolar, depressão (usado como coadjuvante de antidepressivos). O remédio não é recomendado para aliviar tensões do cotidiano

EFEITOS COLATERAIS: Sonolência, movimentos anormais dos olhos, movimentos involuntários dos membros, fraqueza muscular, fala mal articulada, tremor, vertigem, perda de equilíbrio, dificuldades no processo de aprendizagem e de memorização

DEPENDÊNCIA: O tempo varia de pessoa para pessoa. Pode acontecer em um mês ou em um ano. Pacientes que tomam clonazepam não podem consumir álcool

Fonte: JOSÉ CARLOS ZEPPELLINI, psiquiatra

folha

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

ANTICONVULSIVOS PODEM AUMENTAR O RISCO DE FRATURA EM IDOSOS

As drogas da epilepsia aumentam o risco de adultos mais velhos de fraturas ósseas, mostra um novo estudo.

Pesquisadores canadenses analisaram os prontuários de 15.792 pessoas com 50 e mais velhos que tinham tido fraturas não-traumáticas, entre abril de 1996 e março de 2004. Cada pessoa foi acompanhado com um máximo de três pessoas que nunca tinha tido uma fratura, para um total de 47.289 pessoas para servir como controle.

Os pesquisadores também analisaram o uso dos participantes de drogas da epilepsia, incluindo carbamazepina (Carbatrol, Epitol, Tegretol), clonazepam (Klonopin), etossuximida (Zarontin), gabapentina (Gaborone, Neurontin), fenobarbital (luminal), fenitoína (Dilantin, Phenytek ) e ácido valpróico (Depakene, Depakote).

Todos com exceção de um dos medicamentos foi associado com um risco aumentado de fraturas. O maior risco estava entre as pessoas que tomam fenitoína e carbamazepina. O ácido valpróico foi a única droga não ligada a uma maior chance de fraturas.

Os resultados, publicados na edição de janeiro da revista Archives of Neurology, foram semelhantes para as pessoas que tomam apenas uma droga da epilepsia e aqueles que tomam mais de um.

"Em conclusão, nosso estudo mostrou que a maioria das drogas anti-epilépticas, exceto para o ácido valpróico está associada a um risco aumentado de fratura não traumática em indivíduos com 50 anos ou mais", escreveu o Dr. Nathalie Jette, da Universidade de Calgary Monte do Hospital , e colegas em uma liberação da notícia do jornal.

Eles pediram mais pesquisas sobre os efeitos das drogas da epilepsia sobre a saúde óssea.

FONTE: JAMA / Archives periódicos, nota de imprensa, 10 de janeiro de 2011

HealthDay