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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Quais exames médicos valem a pena?

Médico e apresentador da BBC Michael Mosley se submeteu a uma série de exames (Foto: Fleur Bone/BBC)

O número de exames médicos a que uma pessoa pode se submeter parece ter se multiplicado nos últimos anos. Os preços destes exames, para quem faz pela rede privada de saúde, são altos e, no caso de quem usa a rede pública, a espera pode ser longa.

Com isso, surge a pergunta: quais exames que realmente vale a pena fazer? O médico e apresentador da BBC Michael Mosley avaliou este questionamento se submetendo a uma série destes exames:

"Comecei com exames para detectar problemas cardíacos, pois é a principal causa de morte prematura na Grã-Bretanha. Os exames básicos são grátis no NHS (serviço público de saúde britânico) e relativamente simples.

Primeiro, fiz um exame de sangue para medir coisas como colesterol. Então fui à minha médica clínica geral, Sally Jenkins, que mediu minha altura, peso e pressão arterial.

Ela colocou todos estes dados em um calculador online chamado qrisk e a resposta que obteve foi de que tenho 10% de risco de ter um ataque cardíaco ou derrame nos próximos dez anos.

Isto não me pareceu ótimo, mas é um pouco melhor do que a média para alguém da minha idade. De qualquer forma, segundo Sally, os regulamentos para procedimentos neste caso sugerem que eu deveria fazer um tratamento com estatinas.

Tenho uma atitude ambivalente em relação às estatinas. Por um lado elas podem reduzir o risco de morte se você tem doença cardíaca, mas os benefícios para os que aparentemente são saudáveis são menos claros.

As estatinas também têm efeitos colaterais, como o aumento do risco de diabetes tipo 2.

Pagando pelo exame
Sem ter certeza do que fazer, me submeti a outro exame - uma tomografia computadorizada cardíaca. Em uma clínica particular da Grã-Bretanha, ela pode custar entre 600 e mil libras (entre R$ 3,2 mil e R$ 5,4 mil) e envolve também uma pequena dose de radiação.

No exame, o paciente se deita em uma máquina e recebe uma injeção de contraste e, em seguida, uma série de raios-X de dose mais baixa. A máquina mostra suas artérias coronárias detalhadamente e o médico pode ver se há algum bloqueio parcial.

Após passar por esta máquina, o cardiologista Duncan Dymon examinou meus exames. Ele começou falando sobre uma sombra agourenta em uma das minhas principais artérias coronárias, a descendente esquerda.

"A razão de estar escura é devido a um depósito de placa macia, rica em colesterol na parede da artéria", disse o médico.

"É grave?", perguntei ansioso.
Michael Mosley se submeteu a exames cardíacos, para detectar câncer, entre outros (Foto: Fleur Bone/BBC)

"Sim. Não quero parecer muito dramático, mas estas são as perigosas devido à propensão e imprevisibilidade para causar ataques cardíacos em alguém que está totalmente bem, não tem sintomas, vive uma vida normal. Você sai de manhã para trabalhar e não volta para casa", afirmou.

Por esta razão, elas são conhecidas entre os médicos como "fazedoras de viúvas".

O médico não conseguiu me dizer quais eram as chances deste episódio acontecer, "se fizéssemos isto, seria medicina (ao estilo da série de ficção científica) Star Trek", mas ele me aconselhou a tomar a estatina "pois as placas moles (tratadas) com estatinas, metaforicamente falando, têm o colesterol chupado para fora delas".

Entrei no consultório bem alegre e saí de lá com a expressão "fazedora de viúva" no meu cérebro.

E este é o problema com alguns destes exames particulares - eles podem não dar mais detalhes sobre o risco de problema cardíaco que um simples exame da rede pública, e podem te deixar muito mais preocupado.

Câncer
O câncer é a doença que apresenta o segundo maior risco de morte para as pessoas, mas os exames para detectar a doença geram polêmica. Muitos críticos afirmam que estes exames podem prejudicar mais do que ajudar.

Um exemplo é o exame para detectar câncer de mama, que está disponível na rede pública de saúde da Grã-Bretanha para todas as mulheres entre 50 e 70 anos de idade - e este limite de idade deve aumentar para 73 em 2016.

Um relatório feito no país, chamado de Marmot Report, analisou as provas de eficácia deste programa e concluiu que o exame salvou 1,4 mil vidas por ano.

O Nordic Cochrane Centre, em Copenhague, na Dinamarca, é um centro respeitado de colaboração internacional entre cientistas e instituições. E discorda do relatório.

Segundo o centro dinamarquês, pelo fato de termos melhores tratamentos para câncer de mama, a defesa da mamografia ficou prejudicada e, estudos recentes "mostram pouca ou nenhuma redução da incidência de cânceres avançados com o exame".

Iona Heath, ex-presidente do Royal College de Clínicos Gerais, já critica o exame há muito tempo e diz que não escolheria fazê-lo.

"Minha decisão pessoal é esperar até detectar um caroço no seio e então conseguir o melhor tratamento que tiver", afirmou.

Robin Wilson, presidente da Diretoria de Aconselhamento sobre Exames de Mamas da Grã-Bretanha, acredita que o exame salva vidas, mas reconhece que há riscos.

"As mulheres precisam saber o que são estes riscos e como eles se equilibram com os benefícios para fazer uma escolha bem informada - o que nós na profissão de médicos precisamos fazer é melhorar na descoberta de qual (caso de) câncer não precisamos tratar", disse.

Próstata
O câncer de próstata mata 10 mil homens a cada ano na Grã-Bretanha, mas seu exame é ainda mais polêmico que a mamografia.

E isto se deve à já conhecida falta de precisão do PSA (o exame antígeno prostático específico).

Assim como no caso do câncer de mama, o problema é que você não sabe qual tumor detectado vai crescer de forma agressiva e qual não vai.

Se um tumor é detectado, existem várias opções, desde cirurgia até radioterapia (os efeitos colaterais incluem incontinência e impotência). Ou simplesmente esperar, observando de forma mais atenta a saúde do paciente.

O médico aguarda para saber se o tumor é agressivo e cresce rapidamente ou se é relativamente benigno.

"Houve um estudo que envolveu homens com todos os tipos de câncer de próstata e, de forma aleatória, escolheu uns para passar por uma cirurgia radical enquanto outros não fizeram nada e, depois de dez anos, não havia nenhuma diferença real na sobrevivência geral", disse Vincent Gnanapragasam, que dirige um programa de monitoramento no hospital Addenbrokes, em Cambridge.

"Mais importante, os homens com baixo risco de câncer não apresentaram nenhuma prova de benefício depois do tratamento radical."

Em uma coisa todos os especialistas que consultei concordaram: vale a pena fazer um exame para detectar câncer no intestino. E os médicos disseram que até eles passariam por este exame.

Não é o exame mais glamuroso, mas este pode salvar sua vida.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Preparo feito da maneira errada pode alterar o resultado de exames

A lista de preparo para os exames tem importância e deve ser seguida à risca. Qualquer deslize nas recomendações dos médicos pode alterar o resultado e diagnosticar problemas inexistentes. No caso do P.S.A., exame que avalia a próstata do homem, a preparação inadequada pode indicar o falso diagnóstico de câncer, por exemplo.

Exames como o hemograma, urina, fezes, triglicérides, colesterol e glicemia também são importantes ferramentas para ajudar no diagnóstico e controle de doenças, como explicou o clínico geral Alfredo Salim.

Mas cerca de 60% dos erros nos resultados acontecem por problemas no preparo ou na coleta. Por isso, é importante que as recomendações sejam levadas a sério e feitas com atenção. (veja no quadro abaixo o preparo indicado para alguns exames)




Outros exames que podem ser alterados por causa do preparo errado são os de urina e fezes. O exame de urina pede quatro horas antes sem urinar e que seja a primeira urina da manhã.

A recomendação é ainda maior para as mulheres, que devem evitar o uso de cremes e desodorantes íntimos e não estarem menstruadas, a não ser em casos de emergência. A alteração no resultado por causa da falta de preparo pode indicar uma falsa doença e preocupar o paciente sem motivo.

A única recomendação do exame de fezes é colher a amostra em um frasco limpo e seco, de preferência fornecido pelo laboratório, para evitar contaminação. Frascos sujos podem ter substâncias que adulteram o resultado.

O preparo do hemograma, exame de sangue, pede jejum de quatro a oito horas. Mas segundo o patologista clínico Nairo Massakazu Sumita, esse exame é o menos prejudicado caso o preparo não seja seguido totalmente.

O jejum é uma recomendação importante e é essencial que o paciente suspenda totalmente a ingestão de alimentos. Consumir uma pequena bolacha ou tomar uma xícara de café já acaba com o jejum e o exame não pode mais ser feito, mas o paciente pode beber um pouco de água, se quiser. Vale também tirar todas as dúvidas sobre a preparação com o médico no laboratório onde será feito o exame para não correr o risco de errar.

Pessoas que tomam remédios como antibióticos e antiinflamatórios devem avisar o médico porque esses medicamentos também podem interferir no resultado de alguns exames. Nesses casos, o médico vai avaliar se o paciente precisa suspender os remédios ou se deve tomar a dose depois de realizar o exame.

domingo, 9 de outubro de 2011

Pesquisadores pedem fim do exame de sangue PSA

Um dos métodos mais usados para a detecção do câncer de próstata, o PSA (antígeno prostático específico, na sigla em inglês), não deve mais ser usado em homens saudáveis.

A recomendação é do US Preventive Services Task Force, grupo cientistas e pesquisadores influentes ligado ao governo americano, e foi baseada em cinco testes clínicos bem controlados.

"O teste não consegue mostrar a diferença entre tumores que irão ou não afetar um homem durante sua vida. Nós precisamos encontrar um que o faça", disse Virginia Moyer, da Baylor College e líder do grupo.

O PSA detecta a elevação de uma proteína produzida pela próstata e é um indicativo de câncer. O método, porém, é criticado por dar falsos-positivos. Uma dosagem alta de PSA, no entanto, também pode ser sinal de uma infecção ou crescimento benigno exagerado da próstata.

Com a sua popularização, as consequências devastadoras das biópsias e dos tratamentos que geralmente lhe são subsequentes começaram a aparecer. De 1986 a 2005, 1 milhão de homens foram tratados com cirurgia, radioterapia (ou ambos), o que não aconteceria sem o PSA. Entre eles, dizem os pesquisadores, pelo menos 5.000 morreram logo após a cirurgia e entre 10 mil e 70 mil outros sofreram complicações sérias. Pelo menos a metade apresentou frequentemente sangue no sêmen, além de muitos terem incontinência urinária ou impotência.

"Nós estamos desapontados. A questão é que esse melhor teste que nós temos, e a resposta não pode ser simplesmente 'não faça o exame'", diz Thomas Kirk, líder do Us Too, um dos maiores grupos de apoio à doença. Para os pesquisadores, não saber o que está acontecendo na próstata pode ser o melhor caminho.

Estudos em autópsias indicaram que um terço dos homens entre 40 e 60 anos têm a doença. Uma proporção que sobe para três quartos na faixa acima de 85.
A recomendação é válida apenas para homens saudáveis e sem sintomas. Os pesquisadores se pronunciaram se o teste é apropriado para homens que têm sintomas suspeitos da doença ou que já foram tratados contra ela.

Fonte: Folha de S.Paulo
Notícia publicada em: 07/10/2011
Autor: Indefinido

http://www.tudofarma.com.br/noticias/noticiasInterna.asp?Textos_ID=22815

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Novo exame da próstata é mais preciso do que PSA

Cientistas apresentaram um novo teste para o câncer de próstata, mais sensível e mais específico que o teste de PSA convencional utilizado atualmente.

Além de medir os níveis do antígeno prostático específico (PSA), o novo exame mede seis anticorpos específicos detectados no sangue de homens com a doença.

O exame, chamado A+PSA, também reduziu a taxa de falsos-positivos - exames que apontam a presença de câncer quando a doença não está realmente presente.

"Esta é uma nova abordagem muito promissora", disse Gang Zeng, da Universidade da Califórnia, que foi quem liderou o desenvolvimento do A+PSA.

"Em vez de utilizar apenas um parâmetro, o PSA, para testar um câncer de próstata, usamos vários parâmetros que podem ser medidos em uma única reação," explica ele.

Antígenos do câncer de próstata

O teste de PSA convencional tem sido usado por quase 30 anos para avaliar o risco de câncer de próstata.

Mas, segundo Zeng, ele não é específico o suficiente para separar doenças da próstata malignas das não-malignas, como a hiperplasia benigna da próstata (HBP), uma ampliação da próstata comum em homens que entram na terceira idade, e que aumenta os níveis de PSA.

O novo exame analisa seis antígenos específicos associados ao câncer de próstata - NY-ESO-1, SSX-2,4, XAGE-lb, AMACR, p90 and LEDGF - que são encontrados predominantemente em pacientes com câncer de próstata, mas não em condições benignas da próstata.

O exame A+PSA pesquisa simultaneamente o PSA e os seis anticorpos em uma única análise, e fica pronto em cerca de duas horas.

O resultado vem na forma de um índice numérico usados para diagnosticar o câncer - uma pontuação de 0 a 0,5 indica um resultado benigno e, de 0,5 a 1, indica a presença de câncer da próstata.

Antes de ser disponibilizado aos pacientes, o novo exame terá de passar pela aprovação das autoridades de saúde.

diariodasaude