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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A perigosa farmácia caseira

A história é comum: basta uma dor de cabeça, um início de gripe ou um mal-estar que o brasileiro corre para encontrar algum medicamento no seu pequeno estoque em casa ou então se dirige à farmácia mais próxima na busca daquele remédio “de confiança”, seja pelo uso de longa data, seja pelas recomendações de parentes ou amigos. O hábito, já muito arraigado na população, representa um enorme risco à saúde. Em estudo recente, divulgado pelo Centro Multidisciplinar da Dor, no Rio de Janeiro, foi constatado que pelo menos metade dos pacientes se baseia em pessoas não qualificadas na hora de tomar um medicamento e que 40% repetem a medicação prescrita em ocorrências anteriores. Esse comportamento, porém, pode levar a graves complicações, como danos ao fígado e severas reações alérgicas e adversas, que podem inclusive levar à morte.

Depois de muita polêmica, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou novamente a venda de medicamentos que não precisam de prescrição médica em prateleiras. A justificativa é que, ao passar para dentro do balcão, foi prejudicado o direito de o consumidor escolher o medicamento mais conveniente e que a proibição não tinha reduzido a automedicação — o que abre espaço para que as perigosas “farmácias caseiras” proliferem ainda mais e gera um retrocesso no combate ao problema.

Os medicamentos são produzidos para serem receitados por médicos, e os riscos são normalmente subestimados. A maioria dos fármacos causa algum mal para o organismo. Por essa razão, o profissional de saúde prescreve a dose e a duração do tratamento. Como a maior parte dos remédios é processada pelo fígado, há casos em que o paciente pode desenvolver um processo inflamatório (hepatite) ou até mesmo uma lesão mais grave. Sem contar que o uso excessivo de analgésicos e anti-inflamatórios pode até piorar o quadro de saúde.

É preciso conscientizar a população de que existe uma sutil diferença entre a cura e o envenenamento.

Estima-se que 18% das mortes por intoxicação no país são causadas pela ingestão inadequada de medicamentos. Segundo a própria Anvisa, 23% dos casos de intoxicações infantis são motivados pelo armazenamento incorreto de medicamentos em casa, e o Sindicato das Indústrias Farmacêuticas contabiliza 20 mil mortes por ano por causa desse consumo inadequado e sem orientação. É um número expressivo, que pode ser combatido com o aumento do rigor na venda, uma fiscalização maior sobre a publicidade de medicamentos e o investimento em campanhas educativas dos perigos de se comprar e tomar remédios sem prescrição médica.

Por: Ana Carolina Cardoso. Hepatologista da clínica HepatoScan

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Médicos de SP devem incluir exercícios na prescrição médica

Um programa norte-americano que treina os médicos para que eles recomendem e prescrevam exercícios físicos a seus pacientes será lançado nesta quarta no Brasil.

O projeto "Exercise is Medicine" foi criado em 2007 pelo American College of Sports Medicine e pela American Medical Association e visa capacitar profissionais da área da saúde para a adição da atividade física aos tratamentos convencionais.

"Queremos que os profissionais entendam os benefícios da atividade física. A maioria ainda tem receio, acha que o paciente pode quebrar algo, ter um infarto, mas ele tem muito a ganhar com a inserção da atividade moderada no dia a dia", diz Sandra Mahecha Matsudo, médica e diretora-geral do Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul).

O centro é parceiro do American College of Sports Medicine há anos e foi o escolhido para liderar o "Exercise is Medicine" no Brasil.

RECEITA ESPECÍFICA

A ideia é que o médico aprenda a prescrever a atividade física para o paciente, de acordo com sua condição, e o indique para um profissional de educação física.

O programa americano tem "prescrições" de exercícios para diferentes doenças, como câncer, alzheimer, hipertensão e esclerose múltipla.

O projeto começará em São Paulo, numa parceria do Celafiscs com a Secretaria de Estado da Saúde e o apoio da Associação Médica Brasileira e da Associação Paulista de Medicina.

Nesta semana, 150 profissionais receberão treinamento, incluindo médicos, enfermeiros, educadores físicos e fisioterapeutas de 14 instituições -entre elas, Hospital das Clínicas da USP, hospital Albert Einstein, Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e as sociedades brasileiras de diabetes e cardiologia.

O programa deve ter seu acesso ampliado para o Estado por meio de uma rede virtual de capacitação. No futuro, haverá também uma discussão com o Ministério da Saúde sobre como levar o curso para todo o país.

TUDO FARMA

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Estudo sugere que médicos receitam antibióticos em doses inadequadas

Pesquisa realizada na cidade de São Paulo sugere que os médicos estão prescrevendo antibióticos em doses menores do que as que seriam adequadas ou que são ineficazes para o tratamento de doenças respiratórias, como pneumonia, faringite e sinusite.
A conclusão é de uma simulação feita pelo Laboratório Especial de Microbiologia Clínica da Unifesp - os resultados foram publicados na revista científica BMC Infectious Diseases.
O risco da prescrição de antibióticos em doses inadequadas ou errados para o tipo de doença é o aumento da resistência ao medicamento e, consequentemente, uma maior dificuldade no tratamento. É para evitar resistência, por exemplo, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a exigir a retenção de uma via da receita na venda dessas drogas.
"A resistência ocorre porque a pessoa ingere a droga, mas não elimina as bactérias. Assim, elas podem ser transmitidas entre as pessoas", diz o infectologista Carlos Kiffer, autor da pesquisa.

A pesquisa.

Por meio de um modelo matemático (simulação de Monte Carlo), os pesquisadores compararam as prescrições de antibióticos e os efeitos das doses nos três tipos mais comuns de bactérias: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catharralis.
Para o estudo foi considerada uma amostra de receituários emitidos por 400 médicos de São Paulo - os dados referem-se a prescrições feitas na comunidade e não em hospitais e foram informados pela IMS Health.
Foram analisadas as receitas, o tipo de infecção diagnosticada e as doses de antibiótico recomendadas. Os resultados sugerem que os antibióticos mais prescritos não apresentaram a taxa de resposta esperada (acima de 90%). São eles: Azitromicina, ( 27,4% das prescrições), seguido do Amoxicilina (15,4%) e do Levofloxacina (14,7%).
Os pesquisadores esperavam um índice alto de sucesso nos antibióticos mais comuns, mas observaram uma boa taxa de resposta só em três das drogas prescritas: Gatifloxacina, Moxifloxacina e Amoxicilina-Clavulanato. Elas figuram entre as menos prescritas no ranking.
"Essas drogas são mais novas, menos conhecidas. Isso significa que provavelmente as doses não estão obtendo sucesso frente a estas bactérias", diz Kiffer.
De acordo com ele, as infecções respiratórias costumam ter baixa morbidade: cerca de 70% a 80% dos pacientes conseguem resolver o problema espontaneamente. O problema, explica, são os outros 20% a 30% de doentes, que podem ter alguma complicação e, por isso, precisam receber a dose correta do medicamento. Se houver resistência à droga, o tratamento será mais difícil.
O infectologista Antônio Carlos Pignatari, professor titular da Unifesp, diz que os resultados demonstram que é necessário que os médicos reconsiderem o tipo de terapia que estão recomendando. "Estão receitando a dose e o próprio antibiótico inadequadamente", diz.

Mundo ideal.

Para Kiffer, no mundo ideal, o correto seria o médico colher material do paciente, examinar e identificar se o problema é causado por vírus ou bactéria. E, de acordo com o resultado, prescrever o antibiótico correto para aquela doença.
"Mas estamos longe do mundo ideal. Raramente são colhidos exames e a disponibilidade de testes rápidos ainda é limitada. Mesmo quando se colhem exames, os resultados demoram cerca de 72 horas para ficarem prontos. E o médico não vai esperar, ele vai e, muitas vezes, deve medicar o paciente na hora", diz.
Renato Grinbaum, infectologista do Hospital Beneficência Portuguesa, diz que a simulação de Monte Carlo traz sugestões e não resultados definitivos - que só poderiam ser comprovados por meio de estudos clínicos.
"Os resultados sugerem que as dosagens deveriam ser individualizadas. Como é quase impossível fazer isso com os pacientes, a sugestão é usar esses antibióticos em doses um pouco maiores", diz Grinbaum. "O problema é que dose maior pode aumentar efeito colateral, e isso o estudo não demonstra", avalia.

TUDO FARMA

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dicas ajudam farmacêuticos na leitura de prescrições de receitas médicas

O que você faz quando observa uma receita médica e não consegue entender o que está escrito? Os pacientes recorrem aos farmacêuticos, que apesar de conhecer com precisão todos os remédios, às vezes, fica difícil compreender a prescrição correta dos medicamentos.

Para auxiliar nesse processo, o Conselho Federal de Farmacêuticos de Mato Grosso do Sul está orientando os profissionais. Segundo o diretor tesoureiro do CRF/MS, Adam Adami, existem algumas regras que precisam ser seguidas para correta prescrição. Algumas delas estão dispostas na legislação que trata do tema: Lei 5991/73, Portaria 344/98, RDC 67/07, RDC 44/09 e Resoluções do CFF 308/97, 349/00, 357/01 e 542/11.

A Resoluções da Anvisa (RDC’s 67/07, 44/09 e 20/11) e Resoluções do CFF: dispensação de genéricos (Resolução nº 349/00), avaliação farmacêutica do receituário (Resolução nº 357/01) e dispensação de antimicrobianos (Resolução nº 542/11) também devem ser seguidas.

“Uma prescrição deve conter obrigatoriamente: identificação completa do prescritor (nome ou carimbo do prescritor e sua assinatura, data da prescrição), identificação do paciente (nome completo e endereço), dados do medicamento prescrito (nome comercial, DCB, dose, forma farmacêutica, quantidade e duração do tratamento) e no caso das receitas retidas na farmácia, conter na frente ou no verso da receita dados do fornecimento (data, número de lote e quantidade) e identificação do responsável pela dispensação do medicamento (nome de quem realizou o seu aviamento)”, explicou Adami.

Entre os pontos que o farmacêutico deve avaliar, antes de entregar o medicamento ao paciente, são: se a receita é escrita a tinta, por extenso e de modo legível, observados a nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais. Se também contém o nome e o endereço residencial do paciente e, expressamente, o modo de usar a medicação. Outro requisito é se há ou não a data e a assinatura do profissional, endereço do consultório ou da residência, e o número de inscrição no respectivo Conselho profissional.

Segundo a RDC 44/2009, não podem ser aviadas receitas irregulares ou que possam induzir a erro ou confusão. Se houver dúvida o farmacêutico deverá entrar em contato com o prescritor para esclarecer as dúvidas que tenha detectado no momento da avaliação da receita (descrito no art. 75).

“Além dos pontos destacados pelo Conselheiro, que também atua na vigilância estadual de Mato Grosso do Sul, a RDC ANVISA n. 20/1011, que trata sobre prescrição de antimicrobianos, também solicita prescrições contendo, além dos dados já descritos, o sexo e idade do paciente, o que tem gerado muito atrito entre os prescritores e os estabelecimentos farmacêuticos”, completa o farmacêutico bioquímico, tutor do Portal Educação, Ronaldo de Jesus Costa.

portaleducação

terça-feira, 14 de junho de 2011

Anvisa esclarece sobre competências para prescrição de antimicrobianos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma nota de esclarecimento sobre a competência dos profissionais de enfermagem para prescreverem medicamentos antimicrobianos.
A norma em vigor que dispõe sobre o controle de medicamentos antimicrobianos de uso sob prescrição é a RDC nº 20/2011, que substituiu todas as normas anteriores que abrangiam o tema e revogou a RDC n° 44/2010. No capitulo II da atual norma, está previsto que a prescrição dos medicamentos abrangidos pela resolução deverá ser realizada por profissionais legalmente habilitados.
Desta forma, o entendimento da Anvisa é que, conforme a Lei Nº 7498/86, os profissionais enfermeiros devidamente habilitados poderão prescrever os medicamentos antimicrobianos quando estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde. A prescrição, entretanto, não pode ser realizada no setor privado.
A Anvisa esclarece ainda que não tem competência legal para regulamentar questões acerca do exercício profissional de nenhuma categoria profissional. Tal função cabe aos conselhos de classe de cada categoria.

Nota na íntegra

anvisa

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

RECEITAS ILEGÍVEIS

Um cp/vo/8/8. O que parece uma difícil equação ou código indecifrável é, na verdade, a informação mais importante de uma receita médica: um comprimido via oral de oito em oito horas. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que mais de 50% dos medicamentos que circulam no mundo foram receitados, vendidos ou preparados de forma inadequada. Em grande parte esse índice se deve ao fato de que muitos médicos não sabem receitar e orientar seus pacientes.

Usar medicamento não é normal. Dois terços das consultas resultam em prescrições e as reações adversas aumentam com quatro ou mais drogas:

Qualquer medicamento causa efeito em todo o organismo. Nem sempre um medicamento novo é melhor do que outro já no mercado há tempo. Os médicos deveriam estar preparados para buscar informações seguras e confiáveis sobre as drogas.

José Miguel Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, diz que o órgão está preocupado com o problema e que tem investido na educação de prescritores e farmacêuticos, especialmente dentro dos hospitais. Esses profissionais devem levar em conta a medicina baseada em evidências, diz.

- Não é na indústria farmacêutica que eles vão se atualizar, nem no Google. Precisam buscar referências em bancos de dados, em literatura especializada. Já o paciente deve esclarecer todas as dúvidas com seu médico e farmacêutico; exija a presença dele.

Desiré Carlos Callegari, primeiro-secretario do Conselho Federal de Medicina, também defende o uso racional. Ele diz que uma medida importante é a digitalização das receitas e a implantação do prontuário eletrônico. O próprio Código de Ética Médica diz que receitas e prontuários ilegíveis podem ser usados em denúncia e processo.

- Uma receita bem escrita, clara, é uma forma de o profissional se proteger em casos de problemas com pacientes - diz.

Fonte: O Globo
Notícia publicada em: 27/02/2011
Autor: Antonio Marinho

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