Autor: Cynthia Malta Considerado um dos melhores hospitais do país, o Sírio-Libanês vai registrar receita de quase R$ 1 bilhão neste ano. Em 2011, a receita total foi de pouco mais de R$ 815 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebtida, na sigla em inglês), vai ficar em torno de R$ 115 milhões. "Tem sido um bom ano", diz o seu superintendente de estratégia corporativa, Paulo Chapchap, que conduz projeto de expansão no valor de R$ 900 milhões.
Esse programa, cujo objetivo é dobrar a área útil do hospital até 2017, absorveu R$ 227 milhões neste ano. Em 2013 mais R$ 260 milhões serão desembolsados. Chapchap, médico especializado em transplante de fígado, informou que o hospital conta hoje com 90 mil metros quadrados. Com a ampliação, serão acrescentados outros 87 mil. O número de leitos vai dobrar, para 710.
A maior parte dos recursos - R$ 430,6 milhões -, vem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O hospital também terá US$ 25 milhões do banco francês Proparco e US$ 15 milhões do alemão DEG. O restante, para chegar aos R$ 900 milhões, vem do caixa do Sírio-Libanês. "O dinheiro mais caro é o do BNDES", diz Chapchap. Mas a redução da TJLP (que em setembro fechou a 0,45% e há um ano estava em 0,49%) é vista como um bom sinal pelo executivo.
O hospital também estuda construir mais um prédio, para abrigar 60 leitos para pacientes crônicos, em um terreno na avenida 9 de Julho, na região central da capital paulista, a cerca de 50 metros da unidade principal do Sírio-Libanês. "Faz parte do plano diretor, mas não está no projeto dos R$ 900 milhões", diz Chapchap, que ainda estuda como esse projeto adicional será financiado.
A expansão do Sírio-Libanês, fundado há 90 anos por um grupo de mulheres pertencentes à primeira leva de imigrantes de sírios e libaneses ao Brasil, não é um projeto isolado. Hospitais privados estão investindo para ampliar suas estruturas. Ainda assim, a carência é grande. "Há 380 mil leitos no Brasil, a maior parte com pouca tecnologia. E há necessidade de mais 50 mil leitos", diz o médico.
A falta de camas para acomodar doentes vem acompanhada de falta de pessoal treinado. Nas contas de Chapchap, "para cada dois leitos, precisa-se de uma enfermeira e dois técnicos de enfermagem". O setor de saúde também carece de mão de obra especializada em gestão. Nessa área, o Sírio-Libanês desenvolve um curso para gestores com a Fundação Dom Cabral e faz parte desse plano ajudar a formar gestores para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Para melhorar a qualidade do setor de saúde no país, ele não vê outra saída: "Tem que desengessar o setor público para o setor privado poder ajudar, poder entrar". Ele dá o exemplo do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), uma organização social de saúde (OSS) criada pelo governo paulista em 2008, em parceria com a Fundação Faculdade de Medicina de São Paulo. Uma OSS permite que contratações sejam feitas pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o que facilita, por exemplo, demissões de funcionários, quando necessário.
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