segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Telaprevir e boceprevir elevam chances de cura para hepatite C

Os três milhões de brasileiros com hepatite C terão mais chance de cura a partir do próximo ano.

Os dois medicamentos já passaram por pesquisas em fase três -com pacientes de diversos países, incluindo o Brasil- e estão na etapa final de aprovação nos Estados Unidos e na Europa.

A previsão é que o uso seja liberado no exterior no primeiro semestre de 2011. Esperamos que chegue no Brasil ainda no fim do próximo ano ou no começo de 2012.

A hepatite C é causada pelo vírus VHC, transmitido pelo contato com sangue contaminado. Estima-se que tenham a doença 200 milhões de pessoas no mundo.
O vírus causa uma infecção no fígado que, em 85% dos casos, torna-se crônica. A doença não tem sintomas. Um quarto dos pacientes crônicos desenvolve cirrose hepática e pode acabar tendo câncer de fígado.

A única forma de tratamento até agora envolve o uso de duas substâncias: o interferon e a ribavirina. São remédios que melhoram a resposta imunológica do paciente, ajudando o corpo a combater o micro-organismo.

Já as novas drogas, o telaprevir e o boceprevir, impedem a replicação do vírus.

Mais da metade das pessoas que procuram o tratamento disponível hoje não conseguem eliminar a doença: ou os remédios não fazem efeito ou a infecção volta depois de algum tempo.

A possibilidade de cura é de até 90%. Mas os medicamentos antigos não serão aposentados. Durante as pesquisas, quando os antivirais foram usados isoladamente, eles fizeram com que o vírus criasse resistência em pouco tempo.
Existem outros antivirais em fase de testes. Daqui um tempo eles poderão ser usados em conjunto, como um coquetel. Esperamos isso para 2015.

A ribavirina causa muito efeito adverso. Até 15% das pessoas têm sintomas de depressão. Outras têm fadiga, insônia e irritabilidade.

Os antivirais não vão diminuir esses efeitos. A única vantagem é que será preciso tomar a medicação por menos tempo. Devemos ter campanhas educativas sobre os efeitos colaterais, para que o paciente não desista de se tratar.

Qualquer pessoa que recebeu transfusão de sangue antes de 1994 precisa fazer o exame.
Também são considerados grupos de risco quem usa ou já usou drogas injetáveis, fez tatuagens ou outros procedimentos estéticos com materiais não esterilizados, familiares de portadores do vírus, profissionais de saúde e pessoas com mais de 55 anos.

Fonte: Folha de S.Paulo
Notícia publicada em: 04/12/2010
Autor: Juliana Vines

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