quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Trabalhar menos pode ser produzir mais

Maria Carolina Buriti para a revista FH

Como tornar um profissional mais produtivo? De acordo com Paul Terry, da Staywell, a resposta está em equilibrar vida pessoal, trabalho e além disso, a empresa deve gerir a saúde dos colaboradores e gastos com seguros e planos médicos.

FH: Como promover a saúde corporativa dentro das empresas?
Paul Terry: Há muitas coisas novas desenvolvidas e existe pouca promoção da saúde no trabalho. Penso que para promover as melhores práticas e o caminho da promoção e da produtividade no trabalho não há uma só resposta. Não existe uma política mágica e sim, diferente abordagens. As empresas se mostram mais eficazes e aumentam a produtividade se compreendem que a abordagem tem diferentes componentes. Mas uma nova pesquisa da Staywell estudará as performances chave, que inclui fortes apoios para as lideranças e contém, na maior parte do uso, um modelo de educação com uma grade de diferentes abordagens. Por último, nos Estados Unidos, está crescendo o número de empresas que usam incentivos financeiros. Isso pode significar que você põe uma quantidade de dólares a cada ano dentro de uma poupança de saúde ou contribuir para oferecer aos colaboradores uma saúde “premium”. Agora depende de como as empresas vão se engajar para obter esses programas de educação em saúde e também do que os colaboradores vão aprender com isso, é relativo.

FH: Sobre a crise econômica, há algum estudo que mostre que as pessoas que trabalham estão mais estressadas em razão da crise?
Terry: Quando estudamos a capacidade, olhamos como obter resultados dos exames de saúde, medindo a pressão arterial, o peso, avaliando o colesterol , se fumam ou não e etc. Nós conectamos as duas coisas: uma, quanto custa relatar sobre a maior ou menor produtividade no trabalho? Essa é uma boa pergunta para estudar. Também tem a segunda conexão que é saber quanto se gasta na saúde, quanto se gasta quando se vai ao médico e assim mostrar resultados específicos por idade, gênero e os níveis de riscos de saúde e exatamente como, as mudanças na saúde afetam a produtividade das pessoas. Se alguém sofre com dor nas costas, por exemplo, é muito em termos de produtividade. As pessoas também reportaram sobre alto nível de estresse e também têm menos produtividade no ambiente de trabalho. E quando as pessoas procuram menos atividade física, isso se repete. Comparando os dois exemplos (dor nas costa e estresse), o alto nível de stress custou mais para a saúde. E a parte mais importante de todo o estudo é saber como as pessoas reduziram o risco, melhorando os cuidados, atividade física e reduzindo o estresse e, assim, tendo um alto nível de produtividade.

FH: Dentro das empresas, existe uma sobrecarga de trabalho que pode ser causadora de doenças como o estresse entre outras. Como a companhia pode identificar e combater isso?
Terry: Na minha empresa e no meu país há uma discussão de como as pessoas podem ter equilíbrio entre vida e trabalho. Não se pode trabalhar muito, é preciso se cuidar, tirar férias e viajar. Para ensinar ter esse equilíbrio, depende do tipo de programa que a empresa implanta, algumas pessoas vão questionar se não serão prejudicadas, pois para elas, fazer isso pode resultar em reduzir as horas de trabalho. As pessoas, às vezes, são resistentes em fazer isso. Então, como equilibrar? ,pois trabalhar muitas horas com certeza tem impacto na saúde pessoal e na produtividade. A maioria das empresas, simplesmente, não pensam em trabalhar poucas horas porque algumas pessoas amam o trabalho e amam trabalhar muitas horas. Para muitas delas, não é só trabalhar muitas horas, provavelmente, elas tentam ter capacidade física e podem negociar com a carga de trabalho, pois são muito mais resilientes. Isso é uma espécie de retorno, se elas têm estresse, cansaço, fazem mais exercício físico, tem uma boa alimentação, boa forma, pois acham que se reduzirá os danos.

FH: Como inovar na gestão da saúde corporativa?
Terry: Primeiro, as empresas precisam começar a entender melhor como oferecer programas de educação em saúde para os empregados. Isso se faz oferecendo e gerenciando programas no ambiente de trabalho, como os de controle de peso, estresse e de saúde para fumantes, exames médicos. Mas, ao mesmo tempo, para aplicar esses programas é preciso mudar o ambiente e a cultura no trabalho melhorando a saúde. Também há exemplos de inovação no ambiente de trabalho. A minha empresa desenhou escolhas fáceis e saudáveis, como por exemplo, as empresas podem escolher ter locais para oferecer alimentação saudável no lugar de “junk food” . Outro exemplo que está acontecendo no meu país é com a tecnologia. O smartphone ou outro dispositivo pode lembrar de melhorar a saúde, avisando a hora de se mexer ou de fazer um intervalo, ou para saber quantos degraus de escada se subiu no dia e etc. Também há os incentivos financeiros. Uma dessas inovações é o uso de prêmios de incentivo e um sistema de pontos como um jogo em algumas companhias. É possível mostrar quantos pontos se ganha pela promoção do comportamento saudável. Então, a empresa premia o profissional se ele faz atividade física, por exemplo, ou se o colaborador participa de um programa como empresa entrega mais pontos se participa de um treinamento em saúde. Algumas empresas usam penalidades financeiras, por exemplo, se as pessoas ainda fumam, elas vão ter de pagar mais por um seguro saúde para ter melhores resultados.

FH: Nesses programas de educação, se escolhe os empregados na companhia para passar a mensagem para outros colaboradores sobre hábitos e comida saudáveis. Existe um programa com pagamento de um profissional para isso?
Terry: É preciso pagar um profissional e preciso desenvolver ideias e usar prêmios ou penalidades relativas à saúde, porque alguns empregados podem dizer: minha saúde é o meu trabalho. ou por que a empresa quer se envolver na minha saúde? e as empresas, por sua vez, vão dizer que a responsabilidade da saúde do colaborador é como se fosse uma habilidade, pois afeta o trabalho. Para as empresas, a saúde afeta a produtividade no trabalho e esse é o negócio delas. Portanto, elas precisam ajudar as pessoas a aumentar a produtividade da companhia. Mas existe uma importante questão: usar incentivos financeiros é muito bom, fazer com que os profissionais participem oferecendo exames também. Mas se é usado premiações em excesso, pode ocorrer resistência a mudanças, pois a motivação é intrínseca e não se pode mudá-la apenas com incentivos financeiros. É como a expressão ” You Can Lead A Horse To Water, But You Can’t Make It Drink” (Você pode levar um cavalo à água, mas você não pode fazê-lo beber ), ou seja, é possível usar incentivos para ajudar as pessoas participarem, mas não se saberá ao certo se efetivamente ocorrerá grande retorno, caso não se consiga mudar o comportamento e o estilo de vida.