quarta-feira, 18 de julho de 2012

Truvada inaugura mercado bilionário de "prevenção" à Aids

A Gilead Sciences obteve aprovação do governo americano para comercializar o Truvada como um medicamento para prevenção do contágio do HIV. A droga, de uso diária, é o primeiro produto criado para reduzir o risco de contrair o vírus da Aids em pessoas não infectadas, porém, não exclui outros métodos de prevenção como práticas de sexo seguro, aconselhamentos e testes regulares, informou a Food and Drug Administration (FDA), agência que regula o lançamento de medicamentos nos Estados Unidos. Testes clínicos mostraram que o Truvada pode reduzir o risco de HIV em homens homossexuais de 44% a 73%.

O medicamento terá uma advertência de que só deve ser usado por pacientes que tiveram confirmação, por meio de teste, de que não são portadores do vírus. O produto será dirigido a 415 mil americanos que estão na faixa de risco de contrair o HIV durante o sexo.

A nova utilização do Truvada tem dividido militantes da saúde que atuam no combate à Aids, já que alguns dizem que as pessoas não tomarão o medicamento diariamente, como indicado, ou mesmo que ele pode ampliar a resistência a prevenção convencional. "A aprovação representa um marco importante em nossa luta contra o HIV", disse a comissária da FDA Margaret A. Hamburgo. "Todo ano, cerca de 50 mil adultos norte-americanos e adolescentes são diagnosticados com o vírus do HIV, apesar da disponibilidade de métodos de prevenção e estratégias para educar, testar, e cuidar de pessoas que vivem com a doença. Novos tratamentos, bem como métodos de prevenção são necessários para combater essa epidemia."

O Truvada foi aprovado em 2004, em combinação com outros agentes anti-retrovirais para o tratamento de adultos infectados pelo HIV e crianças com 12 anos ou mais. A droga gerou USS 2,9 bilhões em receita para Gilead no ano passado. No entanto, os investidores não esperam que a ampliação do uso do produto para prevenção possa aumentar muito as vendas, disse Mark Schoene-baum, analista da ISI Group, em Nova York. A aprovação e venda do medicamento no Brasil, por exemplo, não tem data.

"A decisão de hoje reflete quase 20 anos de pesquisa envolvendo instituições académicas e médicas, agências de financiamento e cerca de 20 mil participantes em testes clínicos em todo o mundo", disse Norbert Bis-chofberger, diretor científico da Gilead.



Obs: Não dá pra acreditar que o objetivo principal da aprovação seja a proteção da saúde pública. A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA será sem dúvida a maior beneficiária.