quarta-feira, 4 de julho de 2012

GSK paga US$ 3 bi para encerrar ação

A GlaxoSmithKline (GSK) chegou a acordo para pagar o recorde de US$ 3 bilhões para encerrar acusações das autoridades reguladoras americanas de marketing agressivo e uso seletivo de dados de testes na promoção de medicamentos em usos além dos autorizados. Entre essas drogas, estava um antidepressivo que um de seus representantes de venda chamava de "pílula da felicidade".

Como parte do acordo, considerado o maior caso de fraude de saúde pública nos EUA, o laboratório farmacêutico britânico admitiu ser culpado nas acusações criminais.

Em 2011, a empresa havia reservado 2,2 bilhões de libras esterlinas (US$ 3,46 bilhões) para cobrir o custo com o caso. Documentos judiciais divulgados ontem incluíram descrições detalhadas sobre como o grupo atraiu médicos e encorajou ilegalmente o uso de produtos como Wellbutrin, Paxil e Advair.

Os registros legais do Departamento de Justiça dos EUA no processo sustentaram que a GSK valeu-se de "pagamentos em dinheiro disfarçados como comissões de consultoria, refeições caras, fins de semana com grandes gastos e eventos luxuosos de lazer".

Os médicos que prescreviam grandes quantidades de Wellbutrin eram convidados a "sessões de treinamento" na Jamaica, segundo os documentos judiciais.

A GSK contratou o médico e apresentador americano de rádio e TV Drew Pinsky para promover usos "extraoficiais" do Wellbutrin, como medicamento para a disfunção erétil e perda de peso, em programas de rádio nos quais "não parecia que [ele] falava em nome da GSK". Só em 1999, ao longo de dois meses, ele recebeu US$ 275 mil, indiretamente.

Pesquisas da própria empresa mostraram que 12% dos participantes de seus eventos se sentiam mais confortáveis para receitar o Paxil a crianças e adolescentes, mesmo com a GSK não tendo autoridade dos órgãos reguladores para comercializar a droga a menores de 18 anos.

Ao promover o uso de medicamentos para usos que não os aprovados pela Agência de Remédios e Alimentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês), o laboratório obteve vendas substanciais no curto prazo, mas deu a base para uma série de ações das autoridades reguladoras.

Trata-se da maior pena já aplicada dentro da série de acordos com altos valores relacionados a práticas nos anos 90 e 2000, como o caso de US$ 2,3 bilhões contra a Pfizer em 2010 e um acordo de mais de US$ 1 bilhão sendo finalizado contra a Johnson & Johnson.

"Resolvem-se hoje assuntos complicados e de longa data para a GSK", afirmou o executivo-chefe da companhia, Andrew Witty, em comunicado. "Quero expressar nosso arrependimento e reiterar que aprendemos com os erros que foram cometidos."