Como parte do acordo, considerado o maior caso de fraude de saúde pública nos EUA, o laboratório farmacêutico britânico admitiu ser culpado nas acusações criminais.
Em 2011, a empresa havia reservado 2,2 bilhões de libras esterlinas (US$ 3,46 bilhões) para cobrir o custo com o caso. Documentos judiciais divulgados ontem incluíram descrições detalhadas sobre como o grupo atraiu médicos e encorajou ilegalmente o uso de produtos como Wellbutrin, Paxil e Advair.
Os registros legais do Departamento de Justiça dos EUA no processo sustentaram que a GSK valeu-se de "pagamentos em dinheiro disfarçados como comissões de consultoria, refeições caras, fins de semana com grandes gastos e eventos luxuosos de lazer".
Os médicos que prescreviam grandes quantidades de Wellbutrin eram convidados a "sessões de treinamento" na Jamaica, segundo os documentos judiciais.
A GSK contratou o médico e apresentador americano de rádio e TV Drew Pinsky para promover usos "extraoficiais" do Wellbutrin, como medicamento para a disfunção erétil e perda de peso, em programas de rádio nos quais "não parecia que [ele] falava em nome da GSK". Só em 1999, ao longo de dois meses, ele recebeu US$ 275 mil, indiretamente.
Pesquisas da própria empresa mostraram que 12% dos participantes de seus eventos se sentiam mais confortáveis para receitar o Paxil a crianças e adolescentes, mesmo com a GSK não tendo autoridade dos órgãos reguladores para comercializar a droga a menores de 18 anos.
Ao promover o uso de medicamentos para usos que não os aprovados pela Agência de Remédios e Alimentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês), o laboratório obteve vendas substanciais no curto prazo, mas deu a base para uma série de ações das autoridades reguladoras.
Trata-se da maior pena já aplicada dentro da série de acordos com altos valores relacionados a práticas nos anos 90 e 2000, como o caso de US$ 2,3 bilhões contra a Pfizer em 2010 e um acordo de mais de US$ 1 bilhão sendo finalizado contra a Johnson & Johnson.
"Resolvem-se hoje assuntos complicados e de longa data para a GSK", afirmou o executivo-chefe da companhia, Andrew Witty, em comunicado. "Quero expressar nosso arrependimento e reiterar que aprendemos com os erros que foram cometidos."