quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O verdadeiro fiscal

Acompanhei nesta semana a prisão do empresário francês dono da empresa PIP que fabricava próteses mamárias com silicone suspeito.

É interessante avaliarmos o percurso para que este empresário chegasse onde chegou.

De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, o empresário não tinha instrução médica e era fabricante de linguiça (nada contra os fabricantes de linguiça!), antes de montar a fábrica que se tornou a terceira maior fabricante de próteses mamárias em nível mundial.

Sua fama é de ser um bom vendedor e não tinha escrúpulos em praticar atos ilícitos para prejudicar a concorrência.

Quando ele percebeu que poderia ludibriar a Agência Francesa que fiscaliza a qualidade das próteses fabricadas, não teve dúvidas – fez desaparecer todos os documentos que poderiam rastrear a compra do produto de qualidade inferior e que poderiam impedir a comercialização das suas próteses.

Assim seu produto ficava até 70% mais barato que a concorrência.

Aí entra a agência sanitária que não possuía maneiras de fiscalizar no mínimos detalhes todo o processo de produção, entra os distribuidores preocupados somente com seus lucros, hospitais e clínicas preocupados em conseguir mais pacientes e pacientes confiantes que seus médicos vão lhes proporcionar o corpo de seus sonhos num preço convidativo.

É importante que se diga que, se um empresário quiser burlar a lei ele pode fazê-lo.

Obviamente é um risco e ele tem que estar consciente.

Dependendo das brechas legais, ou da fiscalização insuficiente e de interesses financeiros, tudo pode conspirar contra a população.

E qual seria a nossa defesa?

Sermos os fiscais!

Já comentei num blog anterior a importância da denúncia anônima, sem a qual a polícia não consegue completar seu trabalho, e isto serve para todos os segmentos da sociedade.

Medicamento que não funciona, médico que não possui registro de especialidade e clinica na área, alimentos com prazo de validade vencido, prédios sem fiscalização (vejamos o que aconteceu no Rio de Janeiro na semana passada), políticos, empresários e serviços públicos embolsando propina – tudo pode e deve ser denunciado.

Sejamos os fiscais de nós mesmos.

Se toda a sociedade começar a ampliar sua consciência e atuar de forma ética vamos minimizar - e muito - a autonomia de quem só espera a brecha para poder trabalhar suas ilicitudes.

http://www.idvf.com.br/Blog1/post/2012/01/31/O-verdadeiro-fiscal.aspx