Parece que não são apenas os críticos que têm reações adversas assistindo aos filmes da saga Crepúsculo. Durante uma sessão de cinema do filme Amanhecer - Parte 1, em Sacramento, na Califórnia, um rapaz sofreu uma crise epilética depois de ver uma cena em que há fortes luzes piscando e alternando-se entre as cores preta, branca e vermelha. Além dele, diversas pessoas nos Estados Unidos relataram ter sofrido o mesmo problema ao assistir o longa-metragem.
Brandon Gephart estava no cinema com sua namorada Kelly Bauman quando começou a ter convulsões e dificuldades para respirar. "Eu só me lembro de acordar no chão do cinema e olhar todos ao meu redor, sem entender o que tinha acontecido comigo", disse o americano à rede de televisão CBS. O ocorrido aconteceu no dia 18 de novembro, mas só foi divulgado recentemente pois, segundo a emissora, mais casos semelhantes foram relatados no país.
De acordo com a neurologista e chefe do Setor de Epilepsia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Elza Márcia Yacubian, Gephart sofreu de uma crise epilética induzida por estímulos luminosos. "Porém, não podemos dizer que ele necessariamente tenha epilepsia. Todas as pessoas estão sujeitas a sofrer esse tipo de crise com estímulos de flashes de luz ou de cores muito fortes, vindos de filmes, videogames, computadores ou luzes baladas, por exemplo. Mas isso não significa que vai acontecer com todos", afirma a médica.
A prevalência de crises epiléticas provocadas por estímulos luminosos é de 1 por 10.000 pessoas, sendo mais frequentes em adolescentes e mulheres. A incidência muda para 1 para 4.000 em indivíduos de 5 a 24 anos de idade.
Japão — Um episódio parecido aconteceu com o desenho japonês Pokemon, em 1997. Em uma das cenas, fortes luzes vermelhas e azuis que se alternavam provocaram crises epiléticas em várias crianças que assistiam ao desenho no Japão. "Essas crises acontecem pois há uma descarga excessiva nas células nervosas, podendo provocar desde falhas no movimento até convulsões", diz Yacubian.
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