sábado, 12 de março de 2011

ACIDO ACETILSALICÍLICO

A palavra “aspirina” vem de Spiraea, gênero biológico de arbustos que inclui fontes naturais de um ingrediente-chave da droga: o ácido salicílico.
Este ácido, presente no AAS moderno, pode ser encontrado em jasmim, feijões, ervilhas, trevos e certas gramíneas e árvores. Os antigos egípcios já usavam a casca do salgueiro como um remédio para dor, mas não sabiam que o que estava reduzindo a temperatura corporal e a inflamação era o ácido salicílico.
Levaram milhares de anos para que as pessoas começassem a isolar os principais ingredientes do AAS. Um clérigo do século 18, Edward Stone, praticamente redescobriu o AAS quando escreveu um relatório sobre como a preparação de pó de casca de salgueiro parecia beneficiar 50 pacientes com malária e outras doenças.

Em 1800, pesquisadores de toda a Europa exploraram o ácido salicílico. Em 1829, o farmacêutico francês Henri Leroux o isolou. Em 1874, descobriram o ácido salicílico sintético, mas, muitas vezes, quando administrado em doses elevadas, os pacientes apresentaram náuseas e vômitos, e alguns até entraram em coma.
O AAS como a conhecemos hoje surgiu no final de 1890, na forma de ácido acetilsalicílico, quando o químico Felix Hoffmann, da Alemanha, usou-a para aliviar o reumatismo do pai. A droga se tornou um sucesso e, em 1915, começou a ser vendida em comprimidos.

Um paciente que não deveria ter tomado AAS foi o jovem Alexei Romanov Nicholaevich, da Rússia, que tinha hemofilia. O AAS tornaria o sangramento desta desordem pior, mas os médicos imperiais provavelmente deram ao menino a nova droga maravilhosa sem saber disso.
Alexei, filho do último czar, possivelmente melhorou porque o místico Grigori Rasputin disse a mãe do menino para parar com os tratamentos modernos, e recorrer à cura espiritual. A influência de Rasputin sobre a família Romanov pode ter contribuído para a revolta contra ela, tornando a aspirina um possível culpado nos assassinatos e no fim da Rússia czarista.

O uso do AAS em pacientes cardíacos veio à tona em 1948, quando o médico americano Lawrence Craven recomendou uma aspirina por dia para reduzir o risco de ataque cardíaco, com base no que tinha observado nos seus pacientes.
O Prêmio Nobel de medicina em 1982 foi concedido a pesquisadores que demonstraram a razão disso: o AAS inibe a produção de hormônios chamados prostaglandinas. Prostaglandinas são responsáveis pela formação de coágulos que levam a ataques cardíacos e derrames cerebrais, e o AAS impede a coagulação.

Também, recentemente, a droga foi manchete por causa de um estudo que mostrou que uma aspirina por dia parecia reduzir o risco de câncer em pelo menos 20% durante um período de 20 anos. Mas essa pesquisa tem limitações e não é totalmente comprovada.
E, além de seus benefícios, é bom manter as desvantagens do AAS em mente. Como analgésico, os efeitos do AAS são potentes, mas de curta duração. A forma com que ela inibe as enzimas no estômago pode causar úlceras, que podem ser especialmente prejudiciais em combinação com a diminuição da coagulação.
Nenhum paciente deve apenas tomá-la, sem consultar um médico. Alguns suplementos, tais como óleo de peixe e alho, podem causar problemas de sangramento em combinação com AAS. O AAS não é aprovada para crianças menores de 2 anos, e deve ser usada com precaução em pessoas muito jovens por causa de uma possível ligação com a síndrome de Reye.[CNN]

hypescience