Em estudo recém publicado, pesquisadores do Institute of Developmental Biology and Cancer Research da Universidade de Nice (França) identificaram a importância do equilíbrio do pH intra e extra celular no combate ao câncer.
Qualquer célula de nosso organismo precisa de energia (glicose) para se manter viva e desempenhar suas funções. Com a célula tumoral não é diferente; aliás, sua necessidade de energia é até maior. Quanto maior e mais ativo é o tumor, mais suas células consumirão glicose circulante, desviando o fluxo natural de energia das células sadias para o câncer. Apenas este fato já seria suficiente para explicar e entender o motivo pelo qual pacientes oncológicos apresentam um quadro de cansaço excessivo (fadiga).
Porém este consumo de glicose pelas células tumorais é muito mais danoso para o organismo do que pensávamos. Ao metabolizar glicose para transformá-la em energia, a célula tumoral produz um substrato (íons H) que torna os meios intra e extracelular mais ácidos. Esta acidez metabólica gera em nosso organismo uma diminuição da ação do sistema imunológico, promovendo a migração das células tumorais e um aumento do fator de crescimento tumoral, pois inibe a ação das células NK (natural killer). Pequenas mudanças de pH em nosso organismo (0,1 ponto) aumentam a resistência à ação das drogas usadas na quimioterapia.
Portanto, analisando os dados desta pesquisa, podemos concluir que quanto mais ativo e maior o tumor, mais ele consumirá glicose e mais ácido se tornará o meio, estimulando seu crescimento e gerando uma resistência em seu tratamento.
Neste ano, nosso grupo apresentou no Congresso do American College of Sports Medicine, realizado em Baltimore (E.U.A), um trabalho científico feito com pacientes oncológicos, caracterizando a acidose metabólica apresentada por eles durante o tratamento quimioterápico.
Em 2007, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo conseguiu diminuir, e muito, o quadro de acidose metabólica gerada pelo câncer. Sabe como? Com atividade física!
Neste estudo, ratos com câncer que treinaram tiveram uma sobrevida três vezes maior comparado aos ratos com câncer sedentários.
O treinamento têm se mostrado muito eficaz para mudar a dinâmica energética celular de nosso corpo. Quando treinamos, ao contrário de que se pensava, estimulamos uma reorganização do fluxo energético em nossas células. A glicose é desviada para as células que mais precisam de energia naquele momento, diminuindo o aporte energético para as células tumorais. Com menos energia elas crescem mais lentamente e geram uma menor acidose metabólica, acarretando na redução da cascata de acontecimentos que prejudicam o combate ao câncer.
É claro que nenhum destes estudos tem a intenção de apresentar uma cura para o câncer, mas entendendo a dinâmica de seu crescimento, conseguimos combatê-lo através da atividade física e uma alimentação saudável, aliados ao tratamento médico convencional.
Fonte: Portal Uol
Notícia publicada em: 04/10/2010
Autor: Indefinido
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