segunda-feira, 10 de maio de 2010

Restrição calórica intensa pode diminuir avanço da velhice

Os organismos tanto de modelos animais quanto de humanos se beneficiam da redução calórica intensa. Em organismos menos complexos ? como roedores ? essa restrição pode triplicar a expectativa de vida. Ainda não é claro o quanto esse tipo de limitação pode ajudar os humanos, mas os adeptos desse tipo de dieta esperam viver além dos 100 anos com tranquilidade.

Uma meta-análise conduzida por pesquisadores da Universidade College London, Reino Unido, e da Universidade de Southern California, EUA, diz que a restrição calórica influencia diversos mecanismos moleculares relacionados ao envelhecimento e beneficia vários modelos animais observados.

Muita gente tem aderido a esse tipo de dieta, cortando até 25% das necessidades diárias ideais esperando, assim, viver mais. Luigi Fontana, principal autor do estudo, diz que o interesse deveria ser menos na questão de longevidade e mais na qualidade de vida em longo prazo.

?O foco da pesquisa não é exatamente provar que as pessoas viverão até os 120 ou 130 anos?, diz Fontana, que também trabalha na Universidade de Washington e é pesquisador do Instituto Superior de Saúde de Roma, na Itália. ?Queríamos saber se é possível aplicar essas descobertas sobre restrição calórica e outros tipos de intervenção genética ou farmacológica que contribua positivamente para a diferença entre expectativa de vida e ?expectativa de saúde??, diz o pesquisador referindo-se à diferença entre a expectativa de vida no Ocidente (que gira em torno dos 80 anos, em média) e a idade em que a saúde começa a declinar (por volta dos 50 anos, de acordo com pesquisas anteriores).

Os resultados mostravam que aproximadamente 30% dos modelos animais seguindo dietas de restrição calórica tinham suas expectativas de vida aumentadas e não sofriam das doenças normalmente esperadas com a velhice. Em contraste, os animais alimentados com dietas tradicionais, na grande maioria (94%) desenvolviam e vinham a falecer por conta dessas doenças ? a exemplo de câncer e doenças do coração. ?Entre 30% e 50% dos animais com restrição calórica houve mutação genética, sendo que a expectativa de vida e a expectativa de saúde aumentaram e se igualaram. Eles morriam, naturalmente, mas dificilmente ficavam doentes?, diz o pesquisador.

Infelizmente, dizem os pesquisadores, a humanidade se move na direção oposta. As taxas de obesidade no Ocidente aumentam consideravelmente e, de acordo com Fontana, essa diferença de 30 anos entre as expectativas de vida/saúde se torna cada vez mais impactantes. É possível que haja uma diminuição na expectativa de vida, num futuro próximo, que esteja associada ao aumento de doenças que poderiam ser prevenidas, como arteriosclerose, diabete tipo 2 e diversos tipos de câncer.

Mas nem tudo é perfeito. Pessoas adeptas da restrição calórica intensa reportam efeitos colaterais, incluindo diminuição da libido devido às baixas nos níveis de testosterona. Essas pessoas também sentem mais frio, pois o ritmo metabólico diminui e a regulação termal do corpo muda. É bom lembrar também que a restrição calórica deve vir acompanhada de uma alimentação mais balanceada para que não haja defasagem de nutrientes e vitaminas, o que poderia comprometer a saúde e levar ao aumento de incidência de doenças, neutralizando os benefícios desse tipo de dieta.

abcfarma